quinta-feira, 31 de março de 2011

Vaga lembrança

Lembro dos instantes que não passamos juntos,

dos beijos não dados,

dos abraços entrelaçados de vazio.

Lembro que nos perdemos entre caminhos,

que seguimos sozinhos,

que pensamos em nos ter.

Lembro de todos os passos,

de todos os laços,

de todos os nós que desperdiçamos.

Lembro do cheiro da despedida,

do gosto da solidão,

do aperto no peito ao te olhar pelo retrovisor.

Lembro que não quero lembrar,

lembro que não quero esquecer.

Lumar (31/03/11)

terça-feira, 29 de março de 2011

Essência

Quero mergulhar no teu infinito,
voar no céu da tua boca e,
adormecer entre teus braços.
De fato, me refaço em ti.
Lumar(29/03/11)
... e na minha retina, gravada em fogo do prazer,
tua presença me incita a cometer loucuras...
Poetando vou amando às avessas.
Lumar

quinta-feira, 24 de março de 2011

Arrebatamento

Pode despejar em mim

teus medos, frustrações, agonias,

teus fantasmas, insatisfações, rebeldias.

Deixo que me faças de cavalo, muleta,

estepe, tábua de salvação.

Depois vomito, escarro, escarno,

rasgo a ferida para derramar o pus.

Exponho – me entre canibais..

Só assim me deixo livre,

para ser quem sou,

para ser mulher liberta, e

largar ao vento o fundamento de amar.

Lumar(23/03/11)


segunda-feira, 14 de março de 2011

Atemporal

Quisera eu ter o poder
de transformar sonhos em realidade,
de mudar o rumo do vento,
de reinventar o viver.

Poderia criar a máquina do tempo,
fazer voltar a história
ao ponto exato do antes do não.
Ao instante em que seu sorriso
hipnotizou meus sentidos,
ao instante que respirei somente seu perfume.
Ao momento em que as borboletas
fizeram festa em meu estômago
e minhas pernas tremeram
e eu fiquei só amor.

Quisera eu ter o poder
de voar bem junto as nuvens e
me fazer chuva para lhe refrescar,
aliviar sua dor e cansaço e
ficar entre seus braços até nunca mais.

Lumar(11/03/11)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Náufrago

Foram tantas palavras,
ditas, escritas, rasgadas,
que minha vida ficou um texto inacabado.

Perdi o instante do sentir e expressar.
Perdi o momento da explosão.

Foram tantos passos,
em frente, em busca, ao redor,
que desequilibrei na hora do aportar.

Perdi a conexão do vôo.
Perdi a comunicação do olhar.

Foram tantos "nãos" repetidos,
que o sim também se fez não
no momento preciso.

Perdi o mistério dos teus olhos.
Afundei na magia do mar.

Naufraguei de tanto amar.

Lumar (24/02/11)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Essência

Quero mergulhar no teu infinito,
voar no céu da tua boca e,
adormecer entre teus braços.
De fato, me refaço em ti.
Lumar(29/03/11)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Portal

Ao som de um violão uruguaio,

à beira do Tapajós revolto.

Mil tons no céu que me leva,

azuis, rosas, escarlates, gris.

Grito em nome de um amor que não vibra,

sangro em nome de uma vida que não vem,

cruzou o portal de luz em busca da infinitude.

Lumar(02/02/11)

Palco vazio

Jogo de sombras,

baile de máscaras,

cartas jogadas no chão.

Passos incertos na direção contrária ao desejo.

Razão inversa de querência e poder.

Teatro sem cortinas,

sem palco, sem seda

enredo perdido na ganância do ser.

Hipocrisia estampada em bandeira,

tribos perdidas, sem tipos nem fatos,

estranhos em busca do mesmo poder.

Lumar

Ocaso

Depois da tempestade,

o cheiro de maresia.

Calmaria no grande rio.

A vida pulsa,

em profusão de peixes,

aves e cheiros.

O céu com uma cor indefinida,

mas tão lindo e profundo,

com encantos da magia do anoitecer.

E o vento cantando seu canto de jubarte,

Mostra a solidão do ser.

Lumar (18/01/11)