domingo, 29 de março de 2009

Estrada das estrelas

O difícil da viagem é não ter pra quem voltar.
Não ter ninguém pra contar as novas,
Não ter ninguém pra lhe coçar as costas,
Não ter ninguém para acalentar.
E nessa estrada de águas
onde não existe esquinas,
só resta a luz pálida da lua,
a sombra da mata espessa,
e a sinalização das estrelas
indicando o ponto para regressar.

Lumar e Marquinho Mota

segunda-feira, 23 de março de 2009

Fim de festa, noite fria
e todas as saídas não levam a lugar nenhum.
Precisamos aprender a abrir as portas certas....

Marquinho Mota

domingo, 22 de março de 2009

Lumar

Descalibre o trintaeoito

Descalibre o trintaeoito,
Dispare beijos, carinhos e canções.
Atinja em cheio os corações.
Dispare raios, tempestades, emoções.
Dispare cores, flores, amores.


SUBVERTA A ORDEM.

Exploda o inatingível.
Dispare o desejo de querer
a energia que rege seu ser.


Descalibre o trintaeoito.
E sinta o sabor do coito
que minha boca tem pra te dar.
Minha pólvora queima,
como o teu sorriso
queima a minha tristeza.


E meu estopim é a tua existência,
Que me faz viver.

Andréa Imbiriba,Lumar e Marquinho Mota

quarta-feira, 18 de março de 2009

P.B.

A vida em preto e branco,
e o teu beijo pra me colorir.
A vida no porta retrato,
e o nosso sorriso congelado
no instante em que se viveu.


Lumar(18/03/09)

terça-feira, 17 de março de 2009

O Nome

Quem não deve, não teme:

Não teme a morte.
Não teme o castigo.
Não teme a solidão.

Quem não deve, não teme:

O cobrador.
O impostor.
O guarda da esquina.

Quem não deve, não teme:

A própria chance de ser feliz.
O tamanho do seu nariz.

Quem não bebe, não treme.

Marquinho Mota

segunda-feira, 16 de março de 2009

O intervalo do pensamento,
A pausa do sofrimento,
O ponto final.

Lumar (13/03/09)

(13/03/09)
O mar invade a areia
levando tudo o que vê pela frente.
Tão violento, rápido,
Preciso e imponente.
O mar tão belo.
A vida tão rápida.
Tudo no mesmo turbilhão.
O que estava? O que passou?
O momento. O instante.
E no próximo segundo nada mais restará.
Só o corpo arqueado, sucumbido, acabado,
O corpo em decomposição.
E como o mar lavando a areia,
A dor, a corrosão leva o corpo,
Salva a alma, acaba a escuridão.

Lumar (12/03/09)

sexta-feira, 13 de março de 2009

O Vôo do bárbaro

Estive voando por sobre as nuvens
tentando encontrar razões para tanta dor,
buscando encontrar explicações para tanta solidão.
Só encontrei apenas a tua ausência como resposta.

Quero sentir novamente o calor da tua boca
colada a minha,
provar teu gosto com a minha alma
e me perder em teu sorriso,
enquanto a chuva cai despreocupadamente lá fora.

Estive voando sobre a floresta
na esperança de que nas árvores
além do verde da clorofila
estivesse o branco da tua pele
fazendo brilhar meus olhos
com fogo, amor e paixão.

Estou voando próximo ao chão.
Estou de volta a realidade.

Marquinho Mota

terça-feira, 10 de março de 2009

Pipa Luna

E a lua como pipa
escancarada no azul,
traz teu beijo e tua presença,
traz teu cheiro, tua essência,
traz a magia de te ter.
E a lua como pipa
solta na imensidão,
para o tempo por um momento,
e termina minha solidão.

Lumar(10/03/09)

sábado, 7 de março de 2009

Vassoura da Bruxa

Minha vassoura me leva
aonde quer que eu vá.
Minha curiosidade expressa
o momento da chegada.
Minha vontade se faz
com o nada que se fundiu.
Minha vida é um
por do sol no mar do amanhã.
Minha vassoura
na lua cheia,
vagueia, vasculha, te busca,
e me faz bem.

Lumar (05/03/09)

Rede sem peixe

É foda perder você,
sem saber como agir depois que a chuva passou.
É foda estar sem você,
e não saber que caminho seguir por que o mar secou.
É foda perder você no outro lado da estrada
e te buscar por caminhos que não deveriamos caminhar.
É muito foda estar sem você.

Marquinho Mota

quinta-feira, 5 de março de 2009

O outro

Outro lado do ser,
Outro lado do papel,
Outro lado da moeda.
Outro lado da rua,
O lado escuro da lua.
O outro lado do humor.
E eu nem sei lá o que sou.
Me decompondo do outro lado do muro,
Me recompondo do lado obscuro,
Me refazendo para ser o que sou.
Os encontros e desencontros,
Somos nós que fazemos os motivos,
Para termos que nos perder.

Lumar(05/03/09)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Me diz, pra que????

No silêncio da madrugada,
o som da morte.
Imprudência, estupidez, castigo.
A batida seca, vidros quebrados, poste caído em lascas.
Gritos!!!!!!!
Passividade e incredulidade das pessoas.
E na certeza da impunidade
e no amparo do anonimato,
o covarde foge.
Silêncio outra vez.

Lumar

Meu ovo direito é torto.

Quem tem boca passa fome.
Quem tem roupa está nú por baixo
e por cima também.
Mas nesse momento o que eu preciso mesmo:
É de um buraco para me esconder.
Fugir da realidade e
esquecer que o mundo existe.
Quem tem boca arrota.
Quem tem pé, anda descalço.
Siga sua rota longe do buraco.
Porque o buraco te traga,
e eu te trago dentro do meu coração.
Quem tem boca come pão.

Marquinho Mota

terça-feira, 3 de março de 2009

Isreal

Em você eu vejo a contradição.
Coerência zero, intolerância cem.
Você fala de amor,
mas seus filhos bebem ódio.
Fala de amor,
e as suas mãos produzem sofrimento.
Me diz com quem andas ,
que eu não quero andar com eles.

Marquinho Mota

domingo, 1 de março de 2009

Cinema com pimenta

Hoje não. Amanhã quem sabe?
E a minha lida,
escrita, falada,
Me diz que eu tenho que seguir.
Sempre seguir em frente,
desbravar, descobrir, desconcertar.
Mas hoje não. Não tem começo.
" E a minha aventura esta fadada ao desassossego da alma".
Desassossego que tem vôo de borboleta,
Desassossego que incendeia,
Desassossego de pôr de sol.
Precisamos de mais,
Precisamos descobrir.
A saga do matulão contra o canoeiro,
nesse mês na luz da lua cheia.

Lumar e Marquinho Mota

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Égua da PORRADA ! ! !

Tá faltando borboleta no jardim,
Sinto que ela voou pra longe.
Em uma brisa suave
E se deixou levar para além do mar do norte.
Fica com a sorte
E deixa que o balé das tuas asas
Encante o mundo.

Tá faltando borboleta no jardim.
Eu acho que ela não volta.

Em sua nova casa
O vento é frio,
Ela é do frio
Por isso eu acho que ela não volta.

Tá faltando borboleta no jardim
E ela levou um pedaço de mim.

Marquinho Mota

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Verita

Seus olhos fogem dos meus,
como se meu olhar fosse cegar.
Como se meus olhos fossem uma arma letal.
E nesses momentos, sorrateiramente detalho cada parte do seu corpo.
Percorro cada poro, pelo, entranha...
Tentando decifrar seus mistérios, segredos e medos.
Buscando sua essência...
Enquanto me falas de suas histórias, fracassos, conquistas e encantamentos,
tento enxergar por trás das palavras, aquilo tudo que não me queres dizer.
E como vampiro me vens a noite e me sugas... tira minha energia, meu ar, meu prazer.
E eu me deixo levar, me deixo seduzir, me deixo coexistir,
Presa que estou nesse laço de tudo sentir.

Lumar (26/02/09)

Eu hoje

(esta é de uma grande amiga, Valeu France...)

Eu hoje


Quando te olhei

não vi ninguém

quando te vi

não senti nada

o vazio tomou

conta de mim

nada mais me animava

estava viva sem viver.


A angustia queria dominar-me

e eu quase

que me entregando reagia

mas estava fraca.


A cada dia

algo acontecia

e mudava o percurso

de minha vida

triste e vazia.


Brigava entre o morrer e o viver

mas o viver buscava sim

argumentos para continuar

e quase na penumbra

uma luz surgia

uma luz gelada

era assim a minha luz

já não ardia de calor

mas era fria.


E eu,

eu que já não fazia poesias

agora tento

meio confusa

sem ter certeza

do que quero

escrevo,

não, não escrevo

apenas deixo a caneta

seguir, e as letras

meio que rabiscadas surgem

como aquelas luz

aquela luz fria.


E é assim

que sem saber

exatamente o que faço

vou mudando

meus passos

vou tentando viver.


France Teixeira

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Segunda Geração


Seus olhos não me vêem,
me escutam.


Seu assovio, não tem música,
tem dengo.


Seu sorriso não é de alegria,

é de contentamento.


Seu cheiro é único...

Não tem perfume, só amor.

Seu espreguiçar é pura obra de arte.


Você é entre todos, a minha paz !

Lumar (24/02/09)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Um dia bonito!!!!

Mulher de vestido, é como um dia bonito...
De sol....
Que vem aquecer nosso sangue
e fazer feliz todos os viventes deste  e de outros planetas.

Mulher de vestido, é como um dia bonito...
De chuva...
Que vem  acalmar o corpo
e trazer o aconchego necessário para a pró-criação.

Mulher de vestido, é como um dia bonito...
De lua...
que traz luz na escuridão 
e que nos torna amantes.

Mulher de vestido, é como um dia bonito...
De sonhos...

Marquinho Mota e Pimentinha.
Carnaval........
palco onde as mascaras caem,
o amor floresce,
e milhares de litros de cerveja descem pelo esgoto.

Lumar(20/02/09)

Madrulouca

Despe -me,
Vasculha - me,
Inverte - me!
Agarra em meus pelos, que pelos?!?!?!?!
Lambuza -me e
Abusa,
Enlouquece - me!!!!

Lumar (20/02/09)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Cristal Japonês

Sentado olhando o rio que encanta.
Pensando em todas as terras viajadas,
Pensando em todos os amores perdidos,
Pensando em tudo que poderia ser vivido e se perdeu.
E o choro que não vem.....
O corpo todo em convulsão mas não brota
a lágrima da renovação.

Lumar ( 19/02/09)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Desassossego

A chuva encharcando o tempo.
O tempo passando como se não ligasse pra alma.
A alma..... Ah! a alma......
A inquietude da alma.
O espaço fechando, o cheiro de terra molhada impregnando,
a sensação de vazio aumentando, a semente germinando, o ser.....
E tudo parece não fazer sentido.
Só esse desassossego na alma,
transformando o tempo em um único instante.

Lumar(18/02/09)



Poesia de Ronabara.

Calor, muito calor........

Sinto um calor miserável percorrer meu corpo,
não tem água e nem vento no ar,
falta coragem para andar
e minhas pernas não obedecem mais.
Isso não é vida pra ninguém,
isso é um desassossego na alma de qualquer um...

Minha carne doi,meu cérebro está derretendo,
as pernas já não obedecem mais.
Sinto vontade de fugir,
mas não tenho forças para isso.
Isso não é vida pra ninguém,
isso é um desassossego na alma de qualquer um...

Não acredito que ainda respiro,
o ar quente corroi minhas narinas
e o que sai da minha boca é pó.
Égua do calor da porra.
Isso não é vida pra ninguém,
isso é um desassossego na alma de qualquer um.

Marquinho Mota

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Sexta,13

Percorrer teu corpo com meu desejo,
Preencher com a minha boca e língua, a extensão da tua boca.
Transformar todas as fantasias em realidade pura,
Permanecer em puro êxtase.
E depois do último suspiro de prazer..... começar tudo de novo.

Lumar e Bruxo(13/02/09)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Noite fria ao lado de Zeus ou observando a distância o vôo da borboleta.

Te vejo tão de perto que chego a sentir o teu coração batendo em meu rosto
Te quero tanto que começo a acreditar que não existo,que sou um sonho seu.
Ainda ontem caminhei ao acaso te procurando,
Tentando encontrar explicações para o que sinto.
Achei amor.
Achei que ao teu lado tudo seria possível,
E que, mesmo no meio da tempestade,
Nosso barco seguiria o caminho certo
E que nossas águas deslizariam serenas como o sono da criança amada.
???????
Minhas mãos estão cansadas. Meus pés doem,
E apesar disso
O meu amor cresce a cada dia que passa,
Comendo da vida que você me dá.

Minhas mãos estão cansadas
E meus olhos tristes
Porque no horizonte eles vêem à hora da partida,
No fim da linha eles contemplam a tua ausência
E no dia seguinte eles enxergam o nada.

Meu barco ainda procura teu porto,
E minhas mãos precisam descansar em paz.


Marquinho Mota.

Entre o ponto de exclamação e o de interrogação

Um ponto
decreta o fim......
Fim de frase,
fim de parágrafo,
fim de texto.
Simplesmente fim.
Um ponto
pode significar vários pontos,
pontos em comum,
pontos que demarcam distâncias,
pontos que dão latitude, longitude, profundidade.
Ponto.
Ponto e vírgula, pausa.
Três pontos, retiscências.
Ponto. Minha vida é sempre um ponto.
Só pontos, todos reunidos, todos reluzentemente brilhantes.
E talvez hoje seja o meu ponto final.

Lumar(10/07/08)

Para Suzannah!

Tenho em minha boca
palavras que não fazem sentido.
E tenho em meu varal
roupas sujas que balançam ao vento.
Mas trago dentre os meus vícios
Uma vontade louca de gritar teu nome,
e de sentir a vida pulsar
Em cada gota do teu prazer.

Marquinho Mota

P. A.

É necessário que faça sentido: o sentimento, a permuta, o prazer.
É necessário que se tenha em mente, que nada é absoluto, eterno, compreensível.
Necessário se faz, sentir o gosto, sentir "aposto", primavera em agosto.
Necessário se faz, sentir que a vida pulsa em pequenas doses de adrenalina do não mais vir.
É necessário fazer, necessário viver.

Lumar(07/02/09)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

.... restos vitais....

Meu corpo dilacerado pelas sua unhas,
seus dentes,
seu desprezo.
Dilacerado pela angústia,
solidão
e medo.
Dilacerado em mágoas,
depressão e
desespero.
Minha vida escorrendo entre os meus dedos,
se esvaindo lentamente..
Sumindo entre fumaça, álcool e ilusão.....

Lumar(02/02/09)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Epitáfio

Morri...
Por acaso, quase sem querer, sem alardes.
Fechei os olhos e fui...
Sem rastros, sem deixar saudades,
Sem lembranças, sem choro, sem ais.
Simplesmente morri....
Tão natural como a noite depois do dia
e tão rápido como a lágrima a secar no rosto.
Que sirva de banquete para os micróbios,
adubo para as plantas
e estórias para crianças.
Morri....
E aqui jaz uma pessoa que saiu à francesa.

Lumar ( 27/01/09)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Pra que palavras?

Que palavra seria o som de nossos pés descalços,
na areia escaldante, na areia movediça, na areia fina que vai com o vento?
Que palavra explicaria o silêncio de nossas bocas,
o entrelaçar de nossos corpos,
e o abismo entre eles?
Que palavra definiria o brilho dos seus olhos,
o seu perfume, o seu sorriso?
Que palavra seria dita no encontro depois da longa caminhada?
Palavras articuladas... palavras escritas... palavras...
Quase tudo se perde em palavras mal ditas.
Então, pra que palavras?

Lumar (16/01/09)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Mangueirosa

Frondosa e extravagantemente verde
Contrastando com o azul intenso do céu.
Seus brincos pendurados,
Que bailam e brincam ao vento;
Antes que fiquem maduros
E se tornem banquete da orquestra de periquitos.

Lumar(14/01/09)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Ainda resta um gosto de asco,
Ainda resta o gosto de nicotina dos teus dentes,
Ainda resta um pedaço de carne debaixo da tua unha,
Ainda resta a mancha do meu último vômito no teu banheiro.

Dobre a terça e talvez dê a nota
Quarta, quinta e sexta..... mas sempre há volta.
Duas noites, nenhum sono...
48 anos, nenhum sonho.....

A confusa sensação de esperança desfeita parece me rondar,
E por mais que eu a queira longe, ela sempre há de voltar...
Uma vida de adolescente vivida tardiamente,
Com um amor comprado numa esquina próxima,
Livre de neuras.... Cheio de álcool.

Lucius Oliveira
Em caso de dor:
bolsa de água quente,
chá, carinho, aguardente.
Passe em frente, sorria,
arranque o dente.
Esqueça o cotovelo,
vá ao oculista, cabeleleiro,
cartomante, vidente.
Tome calmante, revigorante,
passe gelo.
Respire fundo, vá fundo,
respeite.
Tente acupuntura, ioga, massagem,
relaxamento.
Hipnose, regressão, oração...
Se nada disso der certo,
Contente - se...
Você está vivo!!!!

Lumar (09/01/09)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

E

Quando você se foi,
O céu da minha boca nublou,
A menina dos meus olhos envelheceu,
E eu.... virei ostra.

Lumar(08/01/09)

O pulo da gata

Poesia de uma amiga/irmã maravilhosa.



Estou no sexto ciclo da vida.
De sete em sete dou um salto
E me debruço na janela escancarada pro mundo
Que lambe a minha cara
E despe minha alma com despudor efervescente.
Da sacada vejo os rios que transbordam a volúpia do encontro.
Denso, passageiro, eterno.
Os sorrisos que passam desconhecem a minha sorte
E o sol que desponta no horizonte de desejos
Traz o teu olhar como presente.
Nada desperdiço....
É.... eu tenho sorte, tudo em mim é pulsação, é movimento.
E é no teu sossego
Que me espreguiço...

Andréa Imbiriba.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Quero ser pra você:
Uma manhã ensolarada,
Crianças brincando na praia,
Risos, música, poesia.
Uma noite enluarada de amor,
Cítaras, bandolins, violões,
Explosão de cores e sons.
Uma dose de Absinto ,
Uma cachaça mineira da boa,
Um passo para alçar vôo.
Quero ter de você:
Um olhar lânguido e furtivo,
Um beijo roubado e molhado,
Seu corpo tatuado no meu.
Um querer com gosto de amor,
Um voltar sempre,
Um nem sei quê de contentamento,
Um carinho, um amasso, seu sabor.
Seu sorriso depois do gozo,
Suas mãos estendidas em socorro,
Seu destino traçado no meu.

Lumar(06/01/09)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O TEU SOM.

Teu gemido em meus ouvidos
Soa como o canto da ave do paraiso,
Soa como o vento do norte,
Como tudo o que dá sorte.

Teu gemido em nosso quarto
Ocupa os espaços deixados
Pela solidão.

Teu gemido em minha boca
Me revela a força que tem o teu gozo.

O teu gemido me faz lembrar que...
Eu só sei fazer amor com você.

Marquinho Mota.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Miedo

O medo trava,
enclausura, retrai, mata.
O medo entorpece,
tira fome,
enrosca insone e entristece.
O medo tira o prazer,
de sentir, de ser, de se envolver.
O medo é a sombra,
é a linha tênue entre a sanidade e a loucura.
O medo é o impulso,
é o repuxo, o encolhimento.
O medo faz calar,
faz não querer, faz se perder.
O medo faz refém.
O medo de ser ninguém.

Lumar(27/12/08)

Confabulações Bruxológicas

Eis que estamos aqui!
Entre tragos e goles de cerveja,
Petiscos e bom papo.
Olhos espreitam
Silenciosos, passageiros, misteriosos....
Nada precisa ser revelado.
Nada precisa ser calado.
Eis que nos encontramos
No encantamento de fadas e gnomos.
E que fazemos da vida,
a mágica das palavras em poesia.
Que tornamos o impossível,
passível de ser vivido.
Que tornamos o distante,
o mais tangível, o mais táctil, o mais real.
E por um triz,
Vivemos o tênue limite do amor e ódio.
Humanos que somos!
Falíveis que somos!
Superáveis que somos!
Sujeitos as intempéries, ao efêmero.
Nada temo? Nada temes?
E... Vulneráveis.... Frágeis....
Surpreendemos na reviravolta,
Dando a volta, virando esquina,
retomando a vida por outro caminho.
Sim!! Queremos a chance de fazer valer nosso viver!
Fazendo juz a quê viemos,
Viver feliz pelo simples fato de estar vivo.

Lumar e Andrea Imbiriba (27/12/08)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Momento: um instante que a vida transforma em saudade.

Lumar(21/12/08)
Se embolássemos a linha do pensamento,
e transformássemos o curto espaço de tempo,
em linha atemporal.

Se abandonássemos nossos casulos,
e voássemos sem escudos,
com a pílula azul.

Se nos tornássemos mais que seres em extinção,
idéias em profusão, simbiose, mutação.

Se conseguíssimos voar além do espaço e tempo,
além de nossos próprios pensamentos,
seríamos enfim, um ser fatal.

Lumar(22/12/08)

Viagem

Tua língua percorre meu corpo,
Como se fosse as águas do rio
a lavarem a minha alma;

Me leva ao paraiso
E me transforma
No que de mais importante
existe na terra.

Tuas mãos passeiam em minha pele
como o vento que acalma o meu cansaço
depois de uma longa jornada.

Teus olhos me transmitem paz.

Marquinho Mota

Básica

O corpo pulsa
E a vida passa.
Passado, presente, futuro,
Sempre presente em nossas vidas,
No imperfeito do pretérito mais que perfeito.
A vida pulsa
E precisamos permanecer vivos
Até o dia da nossa morte.
E tenho dito.

Marquinho Mota

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Crianças ao pôr do sol

De repente tudo ficou brilhante,colorido,vibrante.
De repente o som se fez mais cristalino,
O sorriso espontâneo.
O brilho no olhar a cada descoberta,
O grito de alegria a cada surpresa.
Como por encanto o mundo ficou mais tolerável.
A magia da inocência, magia do crer,
Magia de aceitar tudo como realmente é.
Sonhos que cabem em um dia, em horas.
Felicidade traduzida em presentes.
Vida infinitamente feliz.

Lumar(16/12/08)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Cain- dô

Inveja teu nome é frustração,
por não ter pisado na lua primeiro,
por não ter inventado o fogo,
e não ter criado orion e o escorpião.

Inveja teu nome é medo,
de não saber viver simplesmente,
de não ter nada na mente,
de não saber voar além das asas.

Inveja teu nome é ódio,
de tudo que é diferente,
de tudo que é puro,
de tudo que é livre.

Inveja teu nome é desamor.
Vive com dor na consciência,
Sem ciência,
Inutilmente.

Inveja teu nome é medo,
da verdade,
da poesia,
da magia,
de viver.

Inveja teu nome é Ronaldo.
E eu quero ver você me demitir da minha vida.

Inveja, volte para o fundo das tuas minas de carvão.

Marquinho Mota

Para João Luca do Titi


A lata do João,
Tem moeda e tem tostão.
Tem cruzeiro e tem milhão.
E é de onde o papai comprou o pão.
A lata do João,
onde a vovó passou a mão.
Me deve R$6,00 mais a inflação.
Quer saber: Não tem nada não.
Porque a lata do João
É um lugar de comunhão.

Marquinho Mota

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Teus seios rijos chamam,
minha boca ávida delicia.

Meu membro duro quer,
tua boca quente dá.

Tua xoxota úmida pede,
minha língua sedenta bebe.

Teu corpo quente pulsa,
meu corpo faminto come.

Teu mar seco pede,
meu gozo pleno te invade.

Tua alma, viva,
minha alma, acalma.

Marquinho Mota.
Entre nós, o nada.
Entre nós, abismo.
Entre nós, solidão.

Entre nós, resquícios.
Entre nós, o vício.
Entre nós, tesão.

Entre nós, o medo.
Entre nós, perigo.
Entre nós, paixão?

Entre nós, caminhos.
Entre nós, destino.
Entre nós, senão....

Entre nós, a noite.
Entre nós, Lenine.
Entre nós, nós dois.

Lumar (05/12/08)

Shiiiiiiiiiii

E agora?

Te encontrar é um “risco”,

Teu beijo é um vício,

Te querer é constante.

Que fazer?

Correr na rua,

Esbravejar, gritar, enlouquecer???

Chutar o pau da barraca,

Aceitar meus sentimentos,

Correr pro teus braços

e deixar o mundo correr?

Confesso que não queria nada disso.

Só queria um pouco de emoção.

Mas meu coração desandou,

Sambou um samba diferente,

Me fez refém de teus braços,

De teus beijos e dos meus desejos.

E agora?

Fazer o quê?

Lumar (10/12/08)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

ILUSÕES DO AMANHÃ

ILUSÕES DO AMANHÃ

'Por que eu vivo procurando um motivo de viver,
Se a vida às vezes parece de mim esquecer?
Procuro em todas, mas todas não são você.
Eu quero apenas viver, se não for para mim, que seja pra você.
Mas às vezes você parece me ignorar,
Sem nem ao menos me olhar,
Me machucando pra valer.
Atrás dos meus sonhos eu vou correr.
Eu vou me achar, pra mais tarde em você me perder.
Se a vida dá presente pra cada um, o meu, cadê?
Será que esse mundo tem jeito?
Esse mundo cheio de preconceito.
Quando estou só, preso na minha solidão,
Juntando pedaços de mim que caíam ao chão,
Juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou.
Talvez eu seja um tolo, que acredita num sonho.
Na procura de te esquecer, eu fiz brotar a flor.
Para carregar junto ao peito,
E crer que esse mundo ainda tem jeito.
E como príncipe sonhador...
Sou um tolo que acredita, ainda, no amor.

PRÍNCIPE POETA (Alexandre Lemos - APAE) aluno da APAE, chamado, pela sociedade, de excepcional..
Ele tem 28 anos, com idade mental de 15.
Se uma pessoa assim acredita tanto, porque as que se dizem normais não acreditam?
É por isso que são chamados de Especiais, só uma pessoa especial pode escrever desta forma.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Faz algum sentido?

Não consigo dormir, não consigo desacelerar o pensamento.
Não consigo colocar as idéias em ordem, as contas em dia, nem o ar nos meus pulmões.
Não consigo sentir o sabor do seu beijo, nem o calor dos seus braços, nem ao menos um aperto de mão.
Não consigo o gozo gostoso, o riso depois do choro e nem o vislumbrar da manhã.
E a minha vida sem sentido de ser....
Deve haver, algum sentido em viver.


Lumar(02/12/08)
Tecendo redes e rendas de ilusão e sentimentos,
enredados que estamos nesta trama de Hitchcock.
Procurando saídas, sem saber o que nos espera do outro lado da porta.
Sem saber o que nos resta fazer com a intensidade da luz.
Procurando saídas pelas trilhas e encruzilhadas,
Procurando respostas em Tábuas de línguas mortas,
Em tarôs, búzios e até nas mãos.
Buscando uma saída oculta que renda um pouco de ilusão.
Sem imaginar que as respostas se encontram,
no enredado enredo da vida,
como num samba de Noel.

Lú e Marquinho Mota
Difícil é saber o que te espera,
Atrás do muro, atrás da grade, no fim do túnel.
Difícil é saber se a história se repete,
Se o horizonte é tão distante quanto o teu sorriso.
Difícil é definir exatidão.
Exatidão de sentimentos.
Difícil é imaginar se me reconheces.
Difícil é dizer que a noite vem depois do dia,
Que o sorriso vem depois do choro,
Que tudo começa como termina.

Lumar (28/11/08)
Tem sangue no colchão,
Tem gota de suor nas minhas mãos,
Tem um doce no sabor da ilusão.

Tem a vontade ir
onde nunca fomos.
Tenho saudade de coisas que desconheço,
Tem vontade de ser o que somos.
Tem um pedaço de pão pra mim?

Tem notícias presas no ar,
Tem uma vontade louca de me calar,
Tem falta aguda de caviar,
Tem alguém que eu possa amar?

Tem roupas jogadas pelo chão,
Tem corpos soltos no ar,
Tem copos secos no balcão,
Tenho vontade de chorar.

Tem um louco na minha rua,
Tem um dragão dentro da lua,
Tem uma santa em meu altar,
Tem a última ponta pra matar.

Marquinho Mota
Quem falou que eu quero dar exemplo?
Quem disse que eu sou um bom exemplo?
Por exemplo: Quem foi o idiota que decidiu me seguir?
Seguir o modelo,
Aquilo que está no espelho.....
Espelho é o caralho!
O importante é derrubar os mitos.
Que belo exemplo é esse que eu tenho no espelho?
Tome qualquer coisa,
Só não tome como exemplo.

Marquinho Mota

Ab - sinto, Ab - sorvo

Vou voltar para o outro lado do rio.
Lá eu tenho paz e não sinto o frio
da solidão que a tua falta me faz.

Mas não hoje.

Hoje quero a noite como companhia,
quero escrever poesias a luz da lua,
e tomar absinto com as fadas e gnomos
que moram no meu quintal.

Um dia eu vou voltar para o outro lado do rio;
Lá onde as mãos que me tocam são quentes,
E as pessoas que me cercam são boas.

Mas esta noite não.

Quero hoje, comer o pão que o diabo amassou,
que é pra quando eu estiver do outro lado,
Eu saiba apreciar o manjar que o teu amor há de me oferecer.

Vou voltar em breve.

Marquinho Mota

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Negação

O que sou, o que serei?
Hoje, indiscutivelmente, não sei.
Estou onde estou, vivo tudo nesse momento,
Mas não faço parte disso.
Sou apêndice, sou aparte, entre vírgulas.
Realidade paralela.
Sou uma ilha em que posso ser o que não sou,
Sentir o que não sinto,
Dizer o que não vivo,
Ouvir o crivo do meu crivo.
E que dizer de tudo?
Não sou eu, não sou o que sinto, não vejo o que vejo,
E não vivo absolutamente nada.

Lumar(30/11/08)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Um real

Ainda resta um lugar pra onde ir,
Ainda resta um pôr do sol pra assistir.
Ainda resta uma vontade.

Ainda resta um arco íris pra botar mais cor.
Ainda resta uma saudade.

Ainda resta um caminho pra trilhar.
Ainda resta uma boca pra beijar,
Ainda resta...

Ainda resta um gole de cerveja,
ainda resta uma inspiração que diga: Escreva.
Ainda resta boa noite.

Ainda resta esperança.
Ainda resta um andar cambaleante de criança.
E ainda resta R$1,00.

Lú e Marquinho Mota (27/11/08)