Estou uma ilha cercado de solidão ouvindo apenas o som do silêncio e o ruído da alma. Estou um deserto árido e fascinante... perdido entre a cortina de areia em movimento onde o único vestígio de vida é o desenho do pé que fica emoldurado por pouco tempo. Estou um oceano transbordante de vida e mistérios calmo e revolto sombrio e majestoso... Estou em mutação. Lumar(16/07/10)
Estou à procura de algo que me faça andar, Que me faça sentir a tua pulsação e som do teu respirar. Estou em busca de um lugar que me leve E me deixe leve além dos portões da minha casa. Quero sentir a vida nos pulsos sem ter que vê-la escorrendo pelas mãos!
Qual a imagem que reflete neste espelho? Qual o pensamento que neste momento explode em minha emoção? Quem sou???? Refletida, esprimida, revolta, resoluta. Quem é essa mulher molhada de chuva, com o esqueleto arqueado, quase inerte diante da insensatez? Que ser é este que mora dentro de mim, que impulsiona e retrai a cada passo estrangulado? Que energia é essa que vibra diante os sonhos? Imagem iluminada refletida de sonhos magia esperança amor. Imagem de mim. Lumar
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Imagino - te em mim, quem sabe a dor? Imagino - te flor, qual odor? Imagino - te céu, imperativo. Imagino - te! Nem reflexo, nem composto, nunca exposto. Imagino - te o meio, nunca início, nem fim. Imagino - te carmim. Imagino - te em meus lábios, em meu corpo, êxtase. Imagino - te no mundo, solto, seguindo rumo. Imagino - te meu, imagino - te tempo, Imagino - te! Lumar
Entre labirintos, gavetas com fundos falsos guardando expressões, memórias,visões, sentimentos, atos, possibilidades... Gavetas suspensas, presas em fios de ilusão. Como posso conhecer a ti. se nem a mim conheço? Mergulho no plasma compacto da alma. Mergulho no infinito, no supremo estado de espírito do buscar. Lumar (23/06/10)
...ficamos assim lado a lado olhando para o céu de cor indefinida sem saber do tempo passado corrido futuro como que hipnotizados por um som inexistente feito estátuas vivas sem nos dar conta que estávamos nus sob um sol escaldante sem nos dar conta dos olhares das pessoas incrédulas sem nos dar conta que exalávamos sexo paixão prazer ficamos assim lado a lado...
Chega!!!! Cansei de ouvir estórias, de esperar em pé no portão. Cansei de vinte minutos, de caixa postal, escuridão. Cansei de "podíamos", talvez, quem sabe. Cansei do silêncio, da distância, da falta de imaginação. Cansei do abandono. Chega!!!! Não quero mais... Não quero te ter, não quero tua sombra, nem teus restos. Não quero tua falta de tato, nem teu hiato, nem teu sorriso tosco. Não quero mais mentiras, nem desculpas, nem meias palavras. Chega, vá ...... Lumar(05/06/10)
Voei em espaços, turbulências, prateado raios de lua. Voei, pra ver teu sorriso, sentir teu cheiro, fazer sentido. Voei, e minha vassoura estacionou em um lugar que eu não queria ir. Voei, e o que encontro???? Teu coração ocupado, teu olhar direcionado para um horizonte onde não estou. Mas, valeu a pena. Te tive por encantamento, te tive em um momento, te tive presente, entre carinhos, gestos e palavras, te tive enquanto estavas a dormir, e te olhei assim, por cima do lance, pela perspectiva da não ansiedade, pelo prisma da poesia, da tua alma liberta, da lua cheia embalando os sonhos, da cerveja encharcando a arma que não posso usar. Voei, e agora estou aqui. Contigo e sem ti. Lumar(29/05/10)
Eu não te amo só por te amar. Te amo porque meu amor é egoista, porque preciso de ti para sobreviver. Eu não te amo apenas porque estás aqui, eu te amo porque mesmo longe eu consigo me aproveitar da tua força vital. Não te amo porque teu corpo quente me dá prazer, te amo porque encontrei em ti a fêmea perfeita para reproduzir a minha espécie. Na verdade, eu não te amo. Apenas te possuo, mas isso é muito bom.
Vá lá, já cansei de procurar a bolsa que esqueceste ontem na minha casa. Vá lá, que eu não te quero mais aqui. Vá e não olhe pra trás, estátuas de sal estão a tua espera. E o que te espera? Retratos na parede, bilhetes na porta, sorrisos amarelos, minha vida em convulsão? Vá, a confusão que criaste fez com que tudo que eu sentia pela manhã se espalhasse pela casa. E por mais que procures eu não sou mais aquele retrato que escondestes atrás da porta. O tempo fez com que o nosso amor ficasse amarelo. Já nem sei mais das torrentes, das correntes em meu pescoço, do espaço entre a dor e o amor. Já nem sei mais se tenho a sorte de te possuir. Já nem sei o norte, das dores, os odores, os quereres, o existir..... Vá, não olhe nunca as pegadas, as marcas, as cores, as horas que sonhamos, as terras que marcamos, o som que rimou, o sol, a lua, a chuva, tudo que iluminou. Vá, e no dia que resolveres voltar, eu não estarei mais aqui.
Minhas mãos no escuro usam teu corpo como vetor a procura da tua alma. Tentam encontrar respostas para perguntas que ninguém quer responder. Minhas mãos não falam braile, minhas mãos não se calam, minhas mãos e meus calos não sabem o que dizer porque não conhecem as respostas pelo menos até o amanhecer. Minhas mãos não constroem mais aquilo que teus olhos não enxergam, minhas mãos não tocam os teus sonhos, minhas mãos se tornam insanas. Minhas mãos por mais difícil que seja abrem uma cerveja e escrevem esse poema pra ti. O meu tato ainda vai te levar ao teto, e nesse momento o que é concreto vai se tornar abstrato e minhas mãos já não produzem flores tão belas quanto antes. Marquinho Mota
( Para Thais) Caminho em um tapete de folhas sentindo cheiro de vida. Energizo-me com a força vital dos elementos. Vejo pelas frestas da dança dos galhos a luz brilhante do céu. A grande árvore é minha morada e os sons da natureza embalam meus sonhos. Sou parte disso tudo e tudo isso vive em mim.
Não pensei, em nenhum momento,
que estava assistindo o filme da minha vida.
Quando descobri, quase por acaso,
que eu não era mais a protagonista.
Que meus demônios não passavam
de gnomos e duendes passeando no jardim.
Que os meus fantasmas eram apenas
os lençóis secando no varal.
Que os meus caminhos somavam-se
as trilhas sonoras dos vinis.
Que os meus sonhos estavam
embrulhados em celofane rosa,
e que os meus medos enlatados
entupiam meu espaço de ir e vir.
Fechei os olhos e vi a luz acender,
sem glamour, sem platéia, sem tapete vermelho.
Caminhei, olhei pra trás, e dei adeus....
Imaginei ontem que hoje seria diferente. Imaginei ontem que o amanhã, ah! o amanhã, seria tão bom que não precisaríamos mais de telepatia, bastava olhar e então seríamos felizes como deliramos outrora. Como é a primeira frase que eu falei antes? Imaginar as vezes dói, imaginar as vezes é estar à margem, imaginar nem sempre é sonhar, imaginar também é descobrir que os sonhos se acabam do outro lado do telefone. Dói muito imagem - ar. Imaginar é um jogo, sonhar é o jogo. E aos 47 do segundo tempo eu perdi voce dona certinha. Imaginar talvez me faça andar na linha. Hoje a tua falta me faz falta, e esta falta é a morte do sonho que ontem sonhei. E enquanto eu dormia, sonhava e imaginava o que acontecia do outro lado da linha via Embratel. Marquinho Mota
Uma página em branco, e as palavras fogem. Meu corpo presente, meu pensamento e atos, onde estão? Tudo passa correndo, folhas, nuvem,luzes e eu só nesse mundinho cão. Quero teu espaço, teu traço, tua cama de solteiro, teu guarda roupa vazio de ilusão. Nada faz sentido, nem o ar que respiro e nem meus passos em vão. Me dá tua mão, agora, nesse escuro que sinto. Olha em meus olhos e vê tudo que persigo, se estás tão sozinho, como eu, comunhão. Lumar(04/05/10)
Escrava do tempo, do pensamento, do ser. Escrava de sentimentos, do muito que tenho, do olhar que distrai, do não mais vir. Escrava que sou do que não tenho, do espaço que não componho, do passo que não me leva em frente. Escrava liberta que não tem livre arbitrio, que não tem reflexo no espelho, nem sombra no rio que deságua. Escrava sem senzala, sem corrente, sem algema, sem tempo. Escrava do senso, escrava por não poder, escrava por te querer. Lumar(06/05/10)
Um momento quase por acaso. Feito de sentimento, sou fato. Embora a noite me embale, não existe harmonia em mim. Um instante entre o olhar do sol. Sou essência e extremos. Sou o que nunca percebi. Um momento, entre o estar e ser. Um instante que há em mim. Noite, abandono de medos, dores que mostram o reflexo do espirito, espelho que mostra a alma. Sou fraco e forte, sou humano errante, sou assim.
Infinitos dias, inúmeras horas. Sons que se propagam no trovão. Luz que ilumina e não apaga. Seu sorriso estampado no tempo. O brilho do olhar que se expande no pensamento. Palavras que nunca foram ditas, recados deixados no coração. Faz muito que não lhe vejo, mas ficou em mim a essência de si. Helena guerreira.... Helena rainha! A mão estendida, espalmada de amor e compreensão. Mestra da vida, educadora e senhora. Presente dos deuses, em mim presente. Lumar(16/04/10)
O quarto inundado
pela luz prata da lua.
O corpo jogado ao chão,
inerte, quente, extasiado.
Preso pelas mãos suaves,
pelos toques precisos e ansiosos,
pela boca que suga,
que morde, que lambe,
que beija e acarinha.
O tesão encurtando espaço e tempo,
sem linha de pensamento,
só luxuria, instinto, entrega, paixão.
Devassidão de corpos....
Lassidão.