*Liberta, ameniza a dor
O som da palavra amor
a luz da saída da alma
o eco da gargalhada sonora
o cheiro de mato
o cio da terra
o mergulho no igarapé
a mão que acarinha
o silêncio que imuniza
o beijo que enleva
a paz.
Lumar(29/07/10)
*Liberta, ameniza a dor
O som da palavra amor
a luz da saída da alma
o eco da gargalhada sonora
o cheiro de mato
o cio da terra
o mergulho no igarapé
a mão que acarinha
o silêncio que imuniza
o beijo que enleva
a paz.
Lumar(29/07/10)
tempo abafado, pesado,
esmagando o corpo e
dificultando o respirar.
Sinistra noite.........
lavando as casas, as ruas,
lavando a alma,
lavando a cidade nua.
Com maestria os raios desenhando o céu,
riscando imagens cubistas,
abstratas, pós moderna,
como um mestre elaborando a tela.
A terra molhada,
exalando cheiro de erva,
o museu dessa imensa galeria.
Lumar (19/07/10)
Essa imensidão de luz
que invade meus olhos
e me faz perder a razão.
Essa enxurrada de sentimentos
que invade meus pensamentos
e me transforma
Essa
de sair correndo, abrir as asas
me jogar ao vento
e voar, voar sem direção.
Lumar (13/07/10)
Antes que a tarde vá,
a noite chegue,
o dia acabe,
cole seu desejo no meu
esvazie sua ansiedade.
Antes que as horas passem,
os dias corram,
o mundo acabe,
enrole seu corpo no meu
me roube à realidade...
Não gosto de sentir dor pequena,
preciso virar do avesso, escarnar,
deixar os nervos à mostra.
Dor tem que ser GRANDE.
Para esgotar o ruim,
esvaziar a alma, fechar ciclos,
zerar tudo e recomeçar.
Gosto de saborear...
Sabor de terra,
sabor de chuva,
sabor de amor.
Sabor de lágrima,
de adeus, de dor,
sabor de vida!
Lumar (09/06/10)
A sensação que tenho ao olhar teus olhos
é a mesma de cair do décimoandar,
zunido no ouvido,
palpitação, falta de ar.
Tua marca continua cravada em minha alma, e
nem que eu me arraste, sangre até esvair,
nem que eu dilacere a carne,
tua marca continuará.
Não quero ser tua cura,
nem teu vício,
nem precipício.
Não quero ser teu exemplo,
nem teu ponto final.
Quero apenas estilhaçar segredos,
arrancar tua roupa, te encharcar de suor,
romper teus medos, te rasgar ao meio,
ser teu placebo.
Lumar (24/05/10)
Não pensei, em nenhum momento,
que estava assistindo o filme da minha vida.
Quando descobri, quase por acaso,
que eu não era mais a protagonista.
Que meus demônios não passavam
de gnomos e duendes passeando no jardim.
Que os meus fantasmas eram apenas
os lençóis secando no varal.
Que os meus caminhos somavam-se
as trilhas sonoras dos vinis.
Que os meus sonhos estavam
embrulhados em celofane rosa,
e que os meus medos enlatados
entupiam meu espaço de ir e vir.
Fechei os olhos e vi a luz acender,
sem glamour, sem platéia, sem tapete vermelho.
Caminhei, olhei pra trás, e dei adeus....
Uma página em branco,
e as palavras fogem.
Meu corpo presente,
meu pensamento e atos, onde estão?
Tudo passa correndo, folhas, nuvem,luzes
e eu só nesse mundinho cão.
Quero teu espaço, teu traço,
tua cama de solteiro,
teu guarda roupa vazio de ilusão.
Nada faz sentido,
nem o ar que respiro e
nem meus passos em vão.
Me dá tua mão,
agora, nesse escuro que sinto.
Olha em meus olhos e vê tudo que persigo,
se estás tão sozinho, como eu,
comunhão.
Lumar(04/05/10)
No ocaso,
corpos entrelaçados,
como dedos das mãos que se encaixam
em uma simbiose perfeita.
No ar, cheiro de paixão,
desejo, tesão,
odores diferentes que se misturam,
química de sedução.
Mãos que viajam nas curvas do corpo,
transmitindo ondas que causam
arrepios, tremores, calor,
que deixam os pelos eriçados..
e o corpo querendo mais,
querendo sempre, mais...
e o gozo, reflexo oposto,
corpo em êxtase.... e
começar de novo, e de novo e de ..
Lumar (06/04/10)
Imagens distorcidas
enchem meu campo de visão.
Meus olhos estão turvos
pelas lágrimas, pelas máscaras,
pela cegueira da ilusão.
Me perco diante de tudo.
Vivo como se não fosse morrer,
esqueço que a vida corre na velocidade da luz.
Os fantasmas rondam meus passos,
perco o equilíbrio, os sentidos,
bebo do fel da incerteza,
como a parte podre do teu pão.
Tateio em vão pela porta e
encontro as janelas do porão fechadas.
Preciso de luz,
preciso de ar,
preciso sentir,
preciso estar vivo para sentir.
Preciso de ti.
Lumar (10/04/10)
As tintas do arco-íris morreram sobre minha mesa
e assim de repente meu mundo ficou preto e branco, cinza, fumaça...
Desde então, é assim que te trago, te fumo, te cheiro
e me estrago em uma película de Feline,
na pelica da luva que Lúcia usa
quando uiva para a lua.
E em sua vassoura
faz versos sobre o reverso do avesso;
Faz com que o fumo cheire
e a pele ligue a chuva ao chão.
Restam poucas cores na minha aquarela,
restam poucas nuvens com forma de flores.
Poucas fitas para assistir,
mas ainda me resta esperar você.
Chove chuva, chove.
Marquinho Mota
O quarto inundado
pela luz prata da lua.
O corpo jogado ao chão,
inerte, quente, extasiado.
Preso pelas mãos suaves,
pelos toques precisos e ansiosos,
pela boca que suga,
que morde, que lambe,
que beija e acarinha.
O tesão encurtando espaço e tempo,
sem linha de pensamento,
só luxuria, instinto, entrega, paixão.
Devassidão de corpos....
Lassidão.
Lumar(31/03/10)
Há tantos labirintos em mim
que nem sei onde e quando me perdi.
Tantos espaços a serem preenchidos,
tantos sonhos a realizar,
tantos caminhos a percorrer
e eu perdida em mim.
Como posso amar se não me encontro?
Como posso ser se não me vejo?
Como posso?
Meus passos incertos encontram pedras
que se fazem escadas para dar o salto,
para dar o último passo,
e de repente o ar.... o mergulho em mim.
Emerjo das minhas profundezas e
avisto o por do sol.
Acreditar de novo em mim, acreditar na vida,
acreditar no firme propósito de ser feliz,
sair do labirinto escuro,
ser eu, enfim.
Lumar(17/03/10)
Tem um grito estrangulando minha garganta,
uma trave cravada em meu coração,
uma falta de ar por não ter teu espaço,
um ter que flutuar por não ter teu chão.
Tem um gosto amargo na boca do teu último beijo.
Tenho pesadelos.
Tenho vontade de te beijar novamente
e depois te malhar em um sábado de aleluia.
Ainda sinto a corda que deixastes em meu pescoço,
quando fostes embora por trinta pratas.
Ainda sinto tuas unhas cravadas em meus braços,
ainda sinto teu olhar de adeus.
Tem a saudade a rasgar o meu peito,
tem incoerência de sentimentos, desencontro de querer.
Tenho medo.
Não quero mais te querer.
Lumar e Marquinho Mota (24/03/10)
Vício de viver, vício de teimar,
vício de querer o bem, vício de insistir,
vício de beber, vício de fumar, vício.
Vício de tentar ser feliz.
Entre um gole e outro de cerveja,
no sai e entra de poesia...queremos alegria!!!!
Escreve tu
escrevo eu,
me atiço ou me irrito?
Quero um trocadilho pra ver se brilho,
pra ver se exprimo essa falta de mim.
Quero gritar bem alto, dizer não gritando,
poder brincar com as palavras,
brincar de ciranda, de amarelinha, de cantiga de roda.
Poder voltar a ser menina,
e rodopiar no carrossel,
gargalhar ao léu
fazer parceria de encanto,
e no meu vício de magia
trocar letras, palavrinhas, palavrões,
quero dizer grandes palavras... como VIVA! ALEGRIA! COMPAIXÃO!
E sair voando, ficar solta no ar,
sobrevoar o mar,
andar sobre as águas sob o luar,
e nunca, nunca perder o vício de amar.