Cheiro de café fresco, cheiro de terra molhada. Gosto de ginja, caju, graviola. Gosto de arroz com farinha. Cheiro de jasmim dos seus cabelos, cheiro de assucena, cheiro de por de sol. Riso de crianças, rosado de amor. Lembranças da infância, imagem do portão escancarado para o rio.
Ando para que as amarras da intriga não me peguem. Ando para que o tudo se faça presente. Ando para que nada se estagne. Ando para que possa respirar outros ares. Ando....... E o mundo dá voltas........ Voltas que me envolvem. Ando, para dar o passo para voar e ser feliz.
Preguiça de pensar, raciocinar. Preguiça de levantar o corpo, o moral. Preguiça.......... e o dia mal começou. A cama como imã, retém seu cheiro, seu calor. Como posso levantar? Dia longo de suspiros, de desculpas, por não ter coragem de viver.
Ciclos, círculos, circos. Poses, caras, exposições. Momentos em tempo de pausa. Crescente, cheia, minguante, nova. Lua, nova lua, nova Lú. Sete passados, sete círculos, sete ciclos, sete instintos, sete de três. Ciclos, círculos, circos. Palhaços que somos do teatro da vida. Vida exposta, vida refletida, Vida lunar.
Sem gnomos, pirilampos, duendes. Sem borboletas no jardim. Mesmo assim a lua continua a iluminar. Insiste em fazer minha sombra me assombrar. Ilumina o sorriso etéreo. Ilumina o rio, a vala, a lama. Rastro prata em qualquer lugar. Não importa se triste, não importa se sujo, não importa se mau. Ela, magnânima, ilumina a vida, deixando que os sonhos se embalem no vento frio da noite.
São incontáveis e insubstituíveis as histórias de vida. As dúvidas relativas de viver. Como saber que direção tomar na bifurcação? Como saber qual é a sensação de não sentir o que se é? Que fazer com o que resta? Viver constantes: Segue! Pare! Pense! E o tempo nem a favor e nem contra. O tempo seguindo seu ritmo. O tempo retendo seu tempo, até o tempo de não mais estar/ser.
Voa menino, deixe - se seduzir pela imensidão do azul. Voe bem alto, esquadrinhe longe. Deslumbre - se! Encante - se! Sorria com o vento. Voe... Crie... Sonhe... Recrie a emoção de viver.
A ferida sangra, excretando medo, rancor, solidão. Sangue vivo que se esvai pelo ralo. E lava a alma, e leva a calma, a palavra que não cala. A ferida continua exposta, fazendo com que a dor imprima sua face, fazendo com que os sonhos se percam na viagem, fazendo com que o corpo, já tão fraco, se curve perante a não vida.
Me sinto invadida, fico molhada. Minhas pernas tremem, meu corpo amolece, estou à deriva. O mundo ao meu redor já não existe. Neste momento só tuas mãos, tua boca, tua língua e teu corpo entregue ao meu. Prazer na plenitude, instante infinito...........
Vai, vai, vai, vai passando o tempo, tempo decorrente, tempo presente, tempo ausente, tempo intermitente, tempo de viver. E como pipa no ar, sobe,sobe, sobe sobre as nuvens, sem perder o tempo, tempo de pousar. Vai, vai, vai, vai passando o tempo... Não somos jovens, nem obsoletos. Somos a soma do tempo, tempo de voar.
Dizem que agosto é o mes do cachorro louco. Louco por que? Louco por quem? E o mes do homem louco? Homem que a cada dia fica mais insandecido, enclausurado, enquadrado, emoldurado na loucura insana de querer o poder.
Trilhas no chão de roupas, e o espaço se fechando em nós. Olhos, mãos, bocas, línguas, calor, suor, chão. Chão frio, corpos quentes, seres ardentes, querer urgente. Respiração ofegante, e n t r e c o r t a d a. Palavras desconexas ricocheteando no ar. Uivos, sussurros, sons do prazer. Paixão.... tesão.... explosão.... .... exaustão .... ......................................................................................................................................................
Pulso, pulsy, mel. Boca molhada, membro em prontidão mãos que correm loucamentes corpos que suam sem parar. Língua.
O calor da casa ultrapassa a parede. Coração ligado, Imaginação a mil, sonhos que entram pela janela sem pedir licença. Hoje não tem por que e nem depois.
Me sinto o certo, o errado, o que não existe, o que sempre divide. Mesmo assim te espero calmamente. Pelo quarto, espalhados momentos, tormentos, lembranças do que não virá mais. Mesmo assim te espero.... pra te deixar de quatro, te deixar estático, te deixar no chão. E os espelhos que refletem o que imagino, o que não presinto, o que faz o não sentido de ter. E deixa que me sinto, muito mais que isso, o não ser preciso, a vontade inesgotável de querer te comer.
Via Lácta Não derrama o leite mau, nem o bom na cara dos caretas.
Já te falei que não gosto de leite, prefiro o deleite que é dormir no teu colo na estrada.
Por favor amigo não estrague o meu caso com esta estrela apenas me empreste um pouco da tua reverência, pois sou um rei irreverente a proucura de um mago que ainda não trago no meu bolso nesta noite fria em que o rádio informou: ´´16º na Jabatiteua´´
Fim de tarde, Estamos a sós Eu, Rodolfo e o Guarda Roupas. Peso, culpa, suor, brigas. Questão de honra. ´´- E pela porta entreaberta eu vejo a traça furar a parede.´´
A tarde arde apesar de morna. Cerveja no isopor, visitas na sala e nos continuamos aqui, batendo e gemendo, Eu, Rodolfo e o Guarda Roupas com a sua imensa barriga de pau.
Um dia me perguntaram como eu seria ou estaria aos 50 anos. Na época, a pergunta me pareceu tão ridícula e estapafúrdia, que fiquei rindo e simplesmente não consegui me imaginar e muito menos responder. Hoje, próximo a completar 48, continuo sem saber o que serei ou como estarei aos 50, se é que conseguirei chegar lá. É tudo tão absurdamente remoto, que me pego perguntando se é real ou não, se me entrego ao que virá depois, se serei capaz de continuar buscando meus sonhos, se.... Essa partícula que me deixa intrigada, se. Não existe se, como não existe quase, como não existe talvez. Existe possibilidades, oportunidades, escolhas. Estou no meio de um turbilhão de emoções. Sentimentos que me embaraçam, me embalam, me escracham, me dilaceram e me levam pra cima. Pra falar a verdade, estou sendo pedaços de emoções. Ou pedaços de lembranças, ou pedaços de imagens recortadas de algumas vidas vividas. Ainda não sei exatamente a que vim e nem aonde vou. Só sei que definitivamente sou um ser mutante. Ser errante. Ser amante. Ser questionador. Ser querente. Ser exatamente o que sou. Filha, mãe, avó, pai, bruxa, fada, mulher em toda sua plenitude.
Sim, me apaixonei por você. Tentei ignorar sentimentos, tentei deletar idéias e ações. Inútil. Tudo falou mais alto. A paixão ecoou e se expandiu por todas as células do meu ser. E agora é essa necessidade louca da sua boca, do cheiro da sua pele, do seu toque, da sua voz. Que fazer com tudo isso? Poesias, música, ligação entre a sua alma e a minha. Encurtar distâncias por um beijo, transcender espaço e tempo a minha louca paixão.
Lumar(05/08/09)
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Por do sol, Porto do ceu.... Momento único onde a magia do dia conquistado se faz em tons laranja, onde o fogo e a água se tornam um só elemento.
Por do sol, Porto do ceu... Espaço de luz, cores e profundidade, que nos mostra a força do universo em toda a sua harmonia.
Você chegando mansinho, invadindo minha casa, meu corpo. Desbravando com a língua todos os mistérios que há em mim. Virando -me de ponta a cabeça, deixando -me em órbita, em estado de graça, em nirvana.
O que eu sei é pouco diante do mundo que eu tenho para aprender. Não tenho nada a me prender além das minhas próprias correntes. Correntezas me levam pelas estradas da sabedoria, pois o excesso é meu guia, e a cachaça é meu divã. Sou absurdo. Absurdamente pouco, diante desse mar infinito que me espera do outro lado da ponte.
Marquinho Mota
Quanto tempo faz? Quanto mais terrenos para andar? Percorrer caminhos tortuosos, caminhos que não levam aos céus. Quero caminhar nos teus vales, beber nas tuas fontes, e dormir no teu colo. Cola em mim, mas deixa eu respirar, caminhar, viver, amar. Te amar.
Ele partiu voando, tranquilo, com um sorriso grande estampado no rosto. Coloriu o mundo com sua simpatia, solidariedade, humildade, amor. Humano, hermano, sempre foi. Partiu na revoada das borboletas amarelas, sobrevoando rios, matas, arco iris. Sua luz fez ponte entre os dois mundos. Sua semente brotou, deu flores e frutos. Sua história permanecerá em nós, para sempre. Então, ele é imortal.
Perguntas que não ouso fazer, para não ter respostas que não quero escutar. Frases perdidas no ar. Coisas que não preciso lembrar, momentos que ficaram pra trás. O cheiro que impregna o ser, é o mesmo que mata, que ressucita, que faz retroceder. Assim sou eu, você e o mar, no vai e vem da falsa valsa. Desejo o beijo pra apaixonar, e o crepúsculo para dizer no final, que nada sei.
Você sabe o que é esperar? Nove meses pra nascer, vinte e quatro horas pra amanhecer, a eternidade sem te ver, dezessete anos pra falar com você. Você sabe o que é esperar? Um segundo pra crescer, uma gota pra chover, meus olhos a te ver, minha fantasia te percorrer. Você sabe o que é esperar? Pra ver a flor brotar, o bebê no meio da noite chorar, todos os pesadelos sumirem no ar, e somente sonhos pra te amar. Você sabe o que é esperar? Eu sei.
O sorriso estampado na cortina do espaço tempo. Pragmaticamente.... Visão turva da mistura de sentimentos, cheiros, alergias, confusão, stress. Mãos largadas, braços jogados, pés cansados, mente em profusão. Nada se faz no calar das horas. O silêncio de almas, grita no meu ser claustrofóbico. Indefinição de subir, descer, respirar, submergir, subexistir. Fantasmas rondam minha casa, vasculham meu porão. Apnéia, tosse, confusão mental. E nada de analgésico, nada de corticóides, nada de subterfúgios. O que me leva a loucura é simplesmente o piscar de olhos, pela falta de espaço físico, pela espera de solucionar o que não é óbvio, pelo tudo que se retrata no retrato de não mais vir. Apagou a luz, enfim....
Lumar (23/07/09)
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Sou invisível, a única lembrança que têem de mim, é o absurdo de ser. Sou imperceptível, o que incomoda é o estar presente quando não tenho nada a oferecer. Sou banal, apenas me torno habitável e compreendida quando jaz. Sem ais, sou mortal.
Príncipe dourado das embrenhas do Maicá, belíssimo Apapá. A minha dúvida é: como pode o Pipira que só sabe avuar, pescar um Apapá. Eu já vi Rola pescar e ele diz que é o tar, por ser filho do Marçar. Tem também o jaçanan, esse sim eu boto fé, porque pisa bem macio, e seu bico corre a fio, nas costas do jacaré. Mas neste dia, sim, o bailado foi dela, a rainha do mamão, que pegouo Apapá pra comermos com pirão.
Estou indo rumo à India, vou buscar luz. Estou indo, não volto, Meu volts é 110 o teu 220. Estou indo por aí, mochila nas costas, de costas para o mundo, fico mudo. Estou indo e no meu último ato ato tua rede.
Marquinho Mota
O mundo é um giramumdo, mundo de emoções. O mundo é um museu de artes plásticas, onde os plásticos se foram com as cinzas das minhas ilusões. Ilusões estas que sairam dos teus olhos, no meu momento de lucidez. Meu passado se torna presente, assado, cozido, ao ponto. E na sala de justiça morre Salomão Grande. No museu da minha história, continuo perdendo os meus heróis.
Marquinho Mota
Rose das rosas, flor, cabelo, mulher. Na madrugada bem acompanhada, que você quer? Rose, rosa, sandálias no pé. Caminhando e andando, buscando o querer. Rose, rosa, irmã, seja bem vinda!
Marquinho Mota
Enquanto todas criaturas desesperadas, sem saber o que fazer dão murro em ponta de faca, eu sou a faca. As mãos que batem criam cicatrizes, a faca entorta e cria falhas. As mãos moldam, a faca corta. A mão tem tato, a faca é cega. A mão ampara, a faca mata. Enquanto todos dão murro em ponta de faca, eu me escondo na bainha. Porque a tempos deixei de ser rainha, me tornei plebeia que nenhuma mão quer tocar.
Espero ser sintetizada em pleno absurdo. Espero o por do sol para brilhar em seus olhos prata. Espero a lua para trilhar em busca do mais haver. Espero o dia para dar bom dia, um beijo, e poder voar.
Um minuto de bobeira, simples assim. Confundi o teu olhar, confundi teu carinho, confundi tudo. Um minuto, e tudo se perdeu. Quando percebi, não tinha mais nada. Entreguei - me sem perguntar se tu querias. Entreguei - me sem pensar que poderia doer tanto. Em um minuto, minha cabeça a prêmio. Sem pestanejar fiz valer o minuto pra esquecer.
Quero te amar com a força de uma planta que nasce Por entre as paredes de concreto da selva de pedra; Que floresce sob o sol, sob a chuva, Apenas para encher teus olhos de beleza.
Quero te amar com a suavidade do vento Que empina a pipa da criança Enche a boca de sorriso E a alma de esperança.
Por que isso me trás gosto de saudades na boca Cheiro de solidão no ar Falta, louca falta de tirar tua roupa. Vontade, infinita vontade De sentir teu olhar.
Vem de longe, vem pra mim Estrela do Norte, Vem voando por cima do mar Com tuas cores e delírios me dá sorte. Quero, somente quero , te sentir, te amar.
Quando se canta bem, os olhos são cegos. Cegos pro amor, cegos pra dor, cegos pra vida. Quando se escreve, não existe paz, não existe chão, não existe querer bem. É um procurar sempre, buscar um lugar, um querer, um tudo mais. Quando se quer, os valores, os prazeres, os seres, são indiscriminados, são impublicáveis, são imperdíveis . Quando se quer, tudo é possível. Lumar(13/07/09)
Hoje eu quero falar sobre coisas que normalmente eu não falo. Quero falar de porque eu estou aqui, quero falar.... Mas faltam palavras para falar, mesmo assim eu tento. Busco na memória lembranças difusas, e tento me encaixar em algum fuso horário, em que valha a pena ver o tempo passar. Hoje eu quero falar, juro que eu quero falar. Só não sei pra que, pra quem e nem porque. O eco da minha voz torna cada vez mais dolorido este ato. Hoje eu queria falar, como não consigo, escrevo. Marquinho Mota (12/07/09)
Então, que faço com todo esse sentimento. Me diz a que me remeto, onde devo meter a cara. Onde dou a minha face a bater. Então me diz... Mentir que não te quero, mentir que a noite que se instalou em mim, não tem estrelas , nem lua, nem mar. Então me esclarece... Porque sentir é a parte mais forte, sentir é o que me transporta, me faz flutuar, voar, me faz buscar sorrisos, olhares, abraços e exterminar os medos. Então me diz... Eu espero, amor. A esperança é o que me faz atravessar o nada. Eu gostaria de amanhecer - me. Lumar (12/07/09)
Estou com inveja daquela frase que você disse ontem. Começar é tudo que precisamos, inflamar o inflamável, descarnar o impossível, sangrar até a hemorragia do não poder. Sinto inveja da tua dor, da tua poesia. Até mesmo do teu sangramento que naquele momento me fez feliz. Felicidade é um dia qualquer, um momento qualquer. A dor que sinto é o de não poder amar na plenitude, é o de não poder gritar o encantamento, é o de não poder fazer o que quero, enfim.... Sinto inveja de você. Marquinho Mota e Lumar(12/07/09)
Tenho amores inversos, amores ocultos, amores reversos. Tenho sonhos não revelados, não vividos, não buscados. Sonhos estranhos, sonhos totalmente obscuros. Tenho vontade de gritar que não quero o que está pronto. Tenho vontade de meter o dedo na tua ferida exposta. De meter a língua na tua pele nua e crua. Tenho o que não quero ser, sou o que não quero ter. Lumar(11/07/09)
Só queria um dia.... para aplacar a dor da minha agonia, para exorcisar os fantasmas do meu porão, para explorar as minas do meu subterrâneo, para limpar os armários e gavetas do meu interior. Cutucar minhas feridas e faze -las sangrar até à hemorragia. Só desejo um dia... para me recompor, para compor uma poesia, para dançar a minha nova canção, para fechar ciclos e para ter outra gestação. Lumar(08/07/09)
Hoje eu quero teu colo, teu cheiro, teu beijo, teu corpo no meu. Hoje eu quero teu olhar de ébano. Quero tuas mãos massageando meu corpo. Tuas palavras precisas renovando meu ego. Quero tua presença, teu bom senso, teu humor. Quero segredos sussurrados em meus ouvidos. Quero o brilho da explosão de te ter por completo. E se por acaso, não for pedir muito, quero teu amor, teu querer, teu ser.
365 dias em branco, vazio de horas. Minutos de prazer destilados em veneno. Segundos de sonhos perdidos na fumaça do tempo. Instantes únicos que sumiram no breve da estupidez. O nó na garganta que aperta até quase estrangular. A morte fazendo a dança ao meu redor, tão estonteante e bela, que quase não consigo resistir. Tempo que gira em torno do tempo. 365 dias em branco e preto. Jaz!!!!!!
Lumar(02/07/09)
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Conhecer o desconhecido, Combater as desigualdades, Viver as diferenças.... Precisamos ousar.
Ser livre, Viajar no espaço paralelo, Respirar em baixo d´agua... Precisamos sonhar.
E a minha mão pousada sobre teu corpo, no instante torto. E a minha boca busca o gosto e o som do teu querer. E o corpo, como um louco, busca o compasso do prazer. A lua como testemunha, e o vento leva nossos sonhos e sons. O tempo passa, transformando o momento de viver, em quarto de horas enquadrado no pensamento. E nossos enlaces, em nós estão.
Então tudo se fez cinza. Amargo, intragável, insuportavelmente real. Diante meus olhos a sombra da exclusão. Cinza chumbo, SOLIDÃO! Devastadoramente a tempestade em meus passos tropeça. Afogo - me em mágoas, lembranças, recordações funestas. Então o céu escureceu... até não perceber se era cinza ou breu.