Valeu Meu Preto.
Tua solidariedade fortalece nossa luta
MINHA CASA
Te vejo em meu reflexo, te vejo no meu gesto, no meu gosto, à gosto do ser. Te vejo no vendaval do momento, no momento que o vento faz curva, traz cheiros e me reporta a tua pele, ao teu corpo, tua boca... te ter. Te vejo inteiro nú, louco, explicito, entregue, dançando pra mim. Te vejo assim... no espelho reflexo inverso do meu ser. Te amo sem querer. Lumar(13/01/11) |
A carne cortada em mil pedaços,
o corpo inerte...
Sem lágrimas, sem flores,
sem cantos, sem lamentos.
Tudo tão previsível,
tudo sem sentido,
tudo tão sem cor,
sem espaço, sem tempo.
Flechas rasgando o óbvio,
brechas vazando o ser,
o sangue escorrendo lento,
deixando o vento secar, ceder.
Relógios marcando
sempre a mesma hora,
de um mesmo dia,
uma sexta feira da paixão.
Silêncio ao redor de tudo,
busco o termo preciso,
obscuro? não...
Impreciso, indefinível.
A vida sem previsões,
a vida surpreendendo,
sorrindo sempre
a cada amanhecer.
E o corpo já não mais sente dor.
Lumar(04/01/11)
Mãos nervosas em busca de soluções.
Espaço de menos, trabalho de mais.
Revistas, livros, flores secas,
fotografias, pedaços de ilusão.
Olho através do tempo,
sem acreditar no que fui,
no que estou sendo.
Divago e, escorrego em mim.
E, me perco nos labirintos
dos caminhos, da alma,
da sala até o quarto...
Desencaixotei o que vivi.
Lumar (16/12/10)
Tinha ficado confuso pra mim!
Mas agora ta claro como tua aura.
Durante muito tempo fiquei esperando você me explicar quem ia pra onde,
agora sei que devemos ficar aqui,
no nosso lugar,
da nossa maneira,
mesmo que assim eu fique sem jeito.
Podemos dar um jeito nisso.
O importante é ter você do meu lado.
Você ainda está ai do outro lado?
Eu continuo aqui, esperando você falar comigo.
Olhe o rio, ele espera por nós.
Viajemos sempre em frente,
Levados pela correnteza
E pela certeza do nosso amor.
Acho que precisaamos começar tudo do zero novamente
Marquinho Mota
Te procuro por dentro de mim em cada passo que eu dou
E não te encontro.
Caio no abismo sem fundo da melancolia
Donde não pretendo mais sair.
Me vejo por dentro dos teu olhos,
Espelhos insanos de uma alma atormentada por tua ausência.
Retinas loucas que gravam teus traços ancestrais e
Que sonham usando tua alma.
Te tenho.
Outra vida renasce das cinzas, minha fênix.
Outros sons e sussurros ecoam por entre nossos lençóis
Juntos com teu gosto e teu cheiro.
Teço em teus cabelos
A manta que me aquece,
E esquece o que ficou trancado dentro do Meu insano Espelho Louco.
Marquinho
Vem, não diga nada.
Rasgue minha roupa,
beije meu seio,
aperte-me contra a parede
possua meu corpo inteiro.
Fale palavras sujas,
me chama de tua, me usa ,
arraste-me pelo chão,
me lambe, me morde,
mate-me de tesão.
Sou tua escrava
sem pudor, sem medidas,
me lambuza com teu leite,
sou tua puta, à moda antiga.
E eu te devolvo tonto,
entregue, torpe,
morto de tanto prazer.
Lumar (09/12/10)
Hoje estou no automático,
ou no robótico,
ou simplesmente não estou.
Hoje os membros estão pesados,
a cabeça entonteia,
e a vontade é de não ser.
Hoje não tem desejo,
não tem espera,
não sei nem o porquê.
Hoje só queria ser vento,
mar ou passarinho.
Queria ser um longo caminho.
Hoje estou entregue
ao inusitado do dia.
Só queria colo, carinho e poesia.
Hoje meu amanhecer foi um parto,
dolorido, estranho, enfadado
Nem as luzes piscaram....
Hoje não vi a cor do dia,
não acordei, nem sonhei,
apenas fechei os olhos pra mim.
Lumar(20/10/10)
Sim, eu poderia abrir a porta,
deixar entrar teu sorriso e teu encanto.
Deixar vazar a tristeza incrustada das paredes.
Deixar entrar tua voz, tua música, teus costumes.
Deixar vazar todo ressentimento, toda mágoa, toda angustia.
Deixar entrar tua cumplicidade, teu toque, tua presença.
Deixar vazar o mal querer.
Sim, eu poderei, basta pedires.
Lumar (30/09/10)
Sentada na varanda do rio,
observo a vida que se faz lá fora.
Entre folhas, areia, barcos e caminhos
homens passam sozinhos
os obscuros tentáculos do prazer.
Inconfundíveis os risos,
escaldantes os sentidos do ser.
Sentada na varanda do rio,
com o sorriso do gato de Alice escancarado no céu,
me pego imaginando o quanto meu sorriso
se escancararia em tua boca vermelha,
sem o molde desses sorrisos
plastificados, brancos e patéticos
de políticos corruptos, rotos e desonestos.
E continuo sentada na varanda do rio,
observando o mundo adverso.
Lumar (14/09/10)
Serpenteando o azul do céu,
o papagaio vai subindo, dançando,
ao sabor do vento, rumo ao infinito
usufruindo de sua liberdade.
Ligado à terra pela mão de um menino.
Mãos que prendem e soltam,
em movimentos sincronizados
de precisão e prazer.
Na cabeça sonhos, desejos,
vontade de voar junto,
certeza de ser livre
no mundo do imaginário.
Os olhos perdidos no horizonte,
procurando laços, desfazendo rastros,
escancarando sorrisos, “shinou”,
a vitória do menino ao pôr do sol.
Lumar (30/08/10)
sombreia a noite, margeia a vida,
embala sonhos, une ideais.
Da janela, o quintal,
com cheiro de infância,
com galhos balanços,
com flores cristais.
Da janela, o mundo,
escancaradamente avassalador,
enluarado e místico.
Da janela, o olhar escorrega na noite,
vasculhando, estreitando, descobrindo,
gravando na retina ,
o mundo do quintal prateado pela lua.
Lumar(24/08/10)
Estou um misto de dor e saudade.
Preciso ver o mar, sentir o cheiro de liberdade.
Preciso ver o infinito se perder de vista,
preciso de palavras amenas e atitudes intempestivas,
preciso perder o fôlego, preciso me afundar no amor.
Preciso descobrir teu corpo, saciar minha fome e
beber teu sumo de vida.
Preciso respirar sonhos, preciso precisar de ti.
Preciso tanto....
De massagem, de carinho, de tropeços...
De chegada, de beijinhos, de começos..
De segredos ao pé do ouvido.
De dedos carregados de eletricidade,
de abraços de tamanduá.
Estou um misto de endoidecer.
Lumar (18/08/10)