quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Dragão da noite
Fez carícias na mãe terra, e
subiu aos céus em labaredas sádicas.
Corrompeu estruturas,
desestruturou sentimentos,
rompeu convenções,
emanou o medo.
Avassaladoramente insinuante,
como amante sem pudor,
despiu alma e momentos,
e transformou em recomeço
a vida que havia ali.
Lumar ( 05/11/10)
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Amordefases
amor ausente,
amor frustrante,
amor pendente.
Amor sombrio,
amor demente,
amor doente,
amor sem brio.
Amor ardente,
amor preciso,
amor caliente,
amor sem siso.
Amor enrolado,
amor escondido,
amor esperado,
amor perdido.
Amor remédio,
amor veneno,
amor poético,
amor proscrito.
Amor fantasma,
amor relâmpago,
amor vidente,
amor errante.
Amor que cura,
amor que ama,
amor pra sempre????
Amor, enfim...
Lumar(28/10/10)
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
que olha por detrás do tempo,
que olha através do vento,
que olha sem nunca ver.
Quem é essa menina na janela,
amarelada pela vida,
pensando no seu tesouro
perdido no teor do ter.
Quem é essa menina na janela,
que não sorri, não sonha,
não espera, não respira,
apenas cansa os olhos além do além.
Lumar(21/10/10)
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Inodoro
Hoje estou no automático,
ou no robótico,
ou simplesmente não estou.
Hoje os membros estão pesados,
a cabeça entonteia,
e a vontade é de não ser.
Hoje não tem desejo,
não tem espera,
não sei nem o porquê.
Hoje só queria ser vento,
mar ou passarinho.
Queria ser um longo caminho.
Hoje estou entregue
ao inusitado do dia.
Só queria colo, carinho e poesia.
Hoje meu amanhecer foi um parto,
dolorido, estranho, enfadado
Nem as luzes piscaram....
Hoje não vi a cor do dia,
não acordei, nem sonhei,
apenas fechei os olhos pra mim.
Lumar(20/10/10)
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Gueixa
minha língua e minhas mãos.
Saboreio teu riso, tua fala,
teu pedido de urgência.
Busco o inacessível do pensamento,
procuro encontrar o movimento preciso.
Entre as cortinas voando ao vento,
fantasio teus gozos vividos,
tua história entrelaçada de ir e vir.
Não mais me vejo...
Só espero que me possuas,
que me tenhas como laço, como fato,
como instrumento de teu bel prazer.
Lumar(06/10/10)
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Concessão
Sim, eu poderia abrir a porta,
deixar entrar teu sorriso e teu encanto.
Deixar vazar a tristeza incrustada das paredes.
Deixar entrar tua voz, tua música, teus costumes.
Deixar vazar todo ressentimento, toda mágoa, toda angustia.
Deixar entrar tua cumplicidade, teu toque, tua presença.
Deixar vazar o mal querer.
Sim, eu poderei, basta pedires.
Lumar (30/09/10)
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Avarandado
Sentada na varanda do rio,
observo a vida que se faz lá fora.
Entre folhas, areia, barcos e caminhos
homens passam sozinhos
os obscuros tentáculos do prazer.
Inconfundíveis os risos,
escaldantes os sentidos do ser.
Sentada na varanda do rio,
com o sorriso do gato de Alice escancarado no céu,
me pego imaginando o quanto meu sorriso
se escancararia em tua boca vermelha,
sem o molde desses sorrisos
plastificados, brancos e patéticos
de políticos corruptos, rotos e desonestos.
E continuo sentada na varanda do rio,
observando o mundo adverso.
Lumar (14/09/10)
terça-feira, 31 de agosto de 2010
O papagaio e o menino
Serpenteando o azul do céu,
o papagaio vai subindo, dançando,
ao sabor do vento, rumo ao infinito
usufruindo de sua liberdade.
Ligado à terra pela mão de um menino.
Mãos que prendem e soltam,
em movimentos sincronizados
de precisão e prazer.
Na cabeça sonhos, desejos,
vontade de voar junto,
certeza de ser livre
no mundo do imaginário.
Os olhos perdidos no horizonte,
procurando laços, desfazendo rastros,
escancarando sorrisos, “shinou”,
a vitória do menino ao pôr do sol.
Lumar (30/08/10)
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Lua de quintal
sombreia a noite, margeia a vida,
embala sonhos, une ideais.
Da janela, o quintal,
com cheiro de infância,
com galhos balanços,
com flores cristais.
Da janela, o mundo,
escancaradamente avassalador,
enluarado e místico.
Da janela, o olhar escorrega na noite,
vasculhando, estreitando, descobrindo,
gravando na retina ,
o mundo do quintal prateado pela lua.
Lumar(24/08/10)
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Flor de maracujá
Estou um misto de dor e saudade.
Preciso ver o mar, sentir o cheiro de liberdade.
Preciso ver o infinito se perder de vista,
preciso de palavras amenas e atitudes intempestivas,
preciso perder o fôlego, preciso me afundar no amor.
Preciso descobrir teu corpo, saciar minha fome e
beber teu sumo de vida.
Preciso respirar sonhos, preciso precisar de ti.
Preciso tanto....
De massagem, de carinho, de tropeços...
De chegada, de beijinhos, de começos..
De segredos ao pé do ouvido.
De dedos carregados de eletricidade,
de abraços de tamanduá.
Estou um misto de endoidecer.
Lumar (18/08/10)
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
4.9 turbo
pequenas peças de vidro, de cristal,
de conchas, de pedras preciosas.
Conto os contos do estranho
que se apossou de meu redor.
No varal, colorido pelas roupas secando ao sol,
à mostra da realidade, do cotidiano tedioso,
do rico dia a dia no feixe do inesperado.
Somo sonhos, divido tristezas,
multiplico amigos, diminuo mágoas.
Conto minha história
na trilha sonora dos sons do coração.
Meu, teu ,todos, coração em batuque,
brindando o viver!
Lumar (07/08/10)
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Submissa
De que adianta
o lençol cheirando a lavanda,
a flor esparramando no vaso,
a fresta de lua invadindo o quarto,
o desejo incrustado nas entranhas,
voce não está aqui.
De nada adiantou...
Nem súplicas, nem chantagens,
nem os beijinhos salpicados em seu pescoço,
nem meus suspiros ao telefone,
nem minha voz rouca em seu ouvido,
nem minhas palavras enfeitadas de tesão, nada.
Então, de que adianta,
eu dizer:"Quero","sim","amo",
se voce é surdo.
De que adianta
eu me fazer de espera
se voce não enxerga.
De que adianta
eu me rasgar inteira,
me despir de pudor,
me expor em praça pública
se publicamente não fazes nada
para ter meu amor????
Nada adianta, nada adiantou...
Lumar (02/08/10)
Terceiro elemento
Ontem te vi refletido na vidraça,
estranho sentimento de ausência.
Sorrias, embora teu semblante fosse triste,
tão distante quanto a lua que vadia no céu,
tão efêmero, inacessível, improvável.
Tua imagem fantasmagórica
me deu arrepios.
Não quero lembranças mórbidas,
nem quero sentimentos dúbios.
Não quero presente passado,
nem amores escusos.
Fechei os olhos para deixar de te ver,
tirei tua imagem refletida na janela,
apaguei tuas mensagens,
e decidi:
Se não for para ter inteiro,
não quero a metade do teu pão.
Lumar(03/08/10)
Bordando sentimentos
Talvez eu seja louca, estranha, complexa,
pego as letras das minhas palavras,
a emoção a cada dia vivida,
o choro dos amores perdidos,
a esperança por eles deixada,
o sol que brilha em meus olhos,
o infinito do tudo querer, e
tento bordar no espaço
com a linha tênue dos sentimentos
o meu louco viver
Lumar (04/08/10)
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Ameno, ameno dore
*Liberta, ameniza a dor
O som da palavra amor
a luz da saída da alma
o eco da gargalhada sonora
o cheiro de mato
o cio da terra
o mergulho no igarapé
a mão que acarinha
o silêncio que imuniza
o beijo que enleva
a paz.
Lumar(29/07/10)
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Ex-posta
mas percebi o quão burra estava sendo
e decidi abrir os olhos
e viver os segundos instantes
que estavam exalando de mim.
Lumar(22/07/10)
Tempesta
tempo abafado, pesado,
esmagando o corpo e
dificultando o respirar.
Sinistra noite.........
lavando as casas, as ruas,
lavando a alma,
lavando a cidade nua.
Com maestria os raios desenhando o céu,
riscando imagens cubistas,
abstratas, pós moderna,
como um mestre elaborando a tela.
A terra molhada,
exalando cheiro de erva,
o museu dessa imensa galeria.
Lumar (19/07/10)
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Brainstorm
cercado de solidão
ouvindo apenas o som do silêncio
e o ruído da alma.
Estou um deserto
árido e fascinante...
perdido entre a cortina de areia em movimento
onde o único vestígio de vida é o desenho do pé
que fica emoldurado por pouco tempo.
Estou um oceano
transbordante de vida e mistérios
calmo e revolto
sombrio e majestoso...
Estou em mutação.
Lumar(16/07/10)
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Pulsação
Que me faça sentir a tua pulsação e som do teu respirar.
Estou em busca de um lugar que me leve
E me deixe leve além dos portões da minha casa.
Quero sentir a vida nos pulsos sem ter que vê-la escorrendo pelas mãos!
Kelly Torres e Marquinho Mota
terça-feira, 13 de julho de 2010
Rock´n Roll
Essa imensidão de luz
que invade meus olhos
e me faz perder a razão.
Essa enxurrada de sentimentos
que invade meus pensamentos
e me transforma
Essa
de sair correndo, abrir as asas
me jogar ao vento
e voar, voar sem direção.
Lumar (13/07/10)
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Folha de prata
Qual o pensamento que neste momento explode em minha emoção?
Quem sou????
Refletida, esprimida,
revolta, resoluta.
Quem é essa mulher molhada de chuva,
com o esqueleto arqueado,
quase inerte diante da insensatez?
Que ser é este que mora dentro de mim,
que impulsiona e retrai a cada passo estrangulado?
Que energia é essa que vibra diante os sonhos?
Imagem iluminada refletida de sonhos magia esperança amor.
Imagem de mim.
Lumar
quarta-feira, 30 de junho de 2010
quem sabe a dor?
Imagino - te flor,
qual odor?
Imagino - te céu,
imperativo.
Imagino - te!
Nem reflexo,
nem composto,
nunca exposto.
Imagino - te o meio,
nunca início, nem fim.
Imagino - te carmim.
Imagino - te em meus lábios,
em meu corpo, êxtase.
Imagino - te no mundo,
solto, seguindo rumo.
Imagino - te meu,
imagino - te tempo,
Imagino - te!
Lumar
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Porão da Alma
gavetas com fundos falsos
guardando expressões,
memórias,visões,
sentimentos, atos,
possibilidades...
Gavetas suspensas,
presas em fios de ilusão.
Como posso conhecer a ti.
se nem a mim conheço?
Mergulho no plasma
compacto da alma.
Mergulho no infinito,
no supremo estado de espírito
do buscar.
Lumar (23/06/10)
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Apelo
Antes que a tarde vá,
a noite chegue,
o dia acabe,
cole seu desejo no meu
esvazie sua ansiedade.
Antes que as horas passem,
os dias corram,
o mundo acabe,
enrole seu corpo no meu
me roube à realidade...
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Transe
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Morfina
Não gosto de sentir dor pequena,
preciso virar do avesso, escarnar,
deixar os nervos à mostra.
Dor tem que ser GRANDE.
Para esgotar o ruim,
esvaziar a alma, fechar ciclos,
zerar tudo e recomeçar.
Gosto de saborear...
Sabor de terra,
sabor de chuva,
sabor de amor.
Sabor de lágrima,
de adeus, de dor,
sabor de vida!
Lumar (09/06/10)
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Ora vá .....
Cansei de ouvir estórias,
de esperar em pé no portão.
Cansei de vinte minutos,
de caixa postal,
escuridão.
Cansei de "podíamos",
talvez, quem sabe.
Cansei do silêncio,
da distância,
da falta de imaginação.
Cansei do abandono.
Chega!!!!
Não quero mais...
Não quero te ter,
não quero tua sombra,
nem teus restos.
Não quero tua falta de tato,
nem teu hiato,
nem teu sorriso tosco.
Não quero mais mentiras,
nem desculpas,
nem meias palavras.
Chega, vá ......
Lumar(05/06/10)
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Vassoura
turbulências,
prateado raios de lua.
Voei,
pra ver teu sorriso,
sentir teu cheiro,
fazer sentido.
Voei,
e minha vassoura estacionou
em um lugar que eu não queria ir.
Voei,
e o que encontro????
Teu coração ocupado,
teu olhar direcionado para
um horizonte onde não estou.
Mas, valeu a pena.
Te tive por encantamento,
te tive em um momento,
te tive presente,
entre carinhos, gestos e palavras,
te tive enquanto estavas a dormir,
e te olhei assim,
por cima do lance,
pela perspectiva da não ansiedade,
pelo prisma da poesia,
da tua alma liberta,
da lua cheia embalando os sonhos,
da cerveja encharcando
a arma que não posso usar.
Voei,
e agora estou aqui.
Contigo e sem ti.
Lumar(29/05/10)
Para Neruda
Te amo porque meu amor é egoista,
porque preciso de ti para sobreviver.
Eu não te amo apenas porque estás aqui,
eu te amo porque mesmo longe
eu consigo me aproveitar da tua força vital.
Não te amo porque teu corpo quente me dá prazer,
te amo porque encontrei em ti
a fêmea perfeita para reproduzir a minha espécie.
Na verdade, eu não te amo.
Apenas te possuo, mas isso é muito bom.
Marquinho Mota
E?
já cansei de procurar a bolsa que esqueceste ontem na minha casa.
Vá lá,
que eu não te quero mais aqui.
Vá e não olhe pra trás,
estátuas de sal estão a tua espera.
E o que te espera?
Retratos na parede,
bilhetes na porta,
sorrisos amarelos,
minha vida em convulsão?
Vá, a confusão que criaste
fez com que tudo que eu sentia pela manhã
se espalhasse pela casa.
E por mais que procures
eu não sou mais aquele retrato
que escondestes atrás da porta.
O tempo fez com que o
nosso amor ficasse amarelo.
Já nem sei mais das torrentes,
das correntes em meu pescoço,
do espaço entre a dor e o amor.
Já nem sei mais se tenho
a sorte de te possuir.
Já nem sei o norte,
das dores, os odores, os quereres,
o existir.....
Vá,
não olhe nunca as pegadas,
as marcas, as cores,
as horas que sonhamos,
as terras que marcamos,
o som que rimou,
o sol, a lua, a chuva,
tudo que iluminou.
Vá, e no dia que resolveres voltar,
eu não estarei mais aqui.
Marquinho Mota e Lumar
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Te quero agora mas você está longe.
Te quero agora mas você está longe.
Penso...sinto sua carícia em minha pele,
sua boca em meu seio,
seu cheiro em mim...
queimando por dentro!
Te quero agora mas você está longe.
Onde sua mão me toca, ARDE,
onde sua boca me beija, QUEIMA,
onde sua língua brinca, LATEJA,
Te quero agora mas você está longe.
Chegue logo!
Ou morro ardendo de amor.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Visceral
A sensação que tenho ao olhar teus olhos
é a mesma de cair do décimoandar,
zunido no ouvido,
palpitação, falta de ar.
Tua marca continua cravada em minha alma, e
nem que eu me arraste, sangre até esvair,
nem que eu dilacere a carne,
tua marca continuará.
Não quero ser tua cura,
nem teu vício,
nem precipício.
Não quero ser teu exemplo,
nem teu ponto final.
Quero apenas estilhaçar segredos,
arrancar tua roupa, te encharcar de suor,
romper teus medos, te rasgar ao meio,
ser teu placebo.
Lumar (24/05/10)
Eu acho que tenho um...sentido.
usam teu corpo como vetor
a procura da tua alma.
Tentam encontrar respostas
para perguntas que ninguém quer responder.
Minhas mãos não falam braile,
minhas mãos não se calam,
minhas mãos e meus calos não sabem o que dizer
porque não conhecem as respostas
pelo menos até o amanhecer.
Minhas mãos não constroem mais
aquilo que teus olhos não enxergam,
minhas mãos não tocam os teus sonhos,
minhas mãos se tornam insanas.
Minhas mãos por mais difícil que seja
abrem uma cerveja e escrevem esse poema pra ti.
O meu tato ainda vai te levar ao teto,
e nesse momento o que é concreto vai se tornar abstrato
e minhas mãos já não produzem flores tão belas quanto antes.
Marquinho Mota
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Realidade paralela
Caminho em um tapete de folhas
sentindo cheiro de vida.
Energizo-me com a força vital dos elementos.
Vejo pelas frestas da dança dos galhos
a luz brilhante do céu.
A grande árvore é minha morada e
os sons da natureza embalam meus sonhos.
Sou parte disso tudo
e tudo isso vive em mim.
Lumar (19/05/10)