quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Água descendo pela garganta
Molhando as palavras secas que você guardou pra mim.
Preciso de mais, preciso de ar, preciso ir.

Água molhando o pé da planta
descendo pela terra onde você me jogou
por me querer amarrado
de mãos atadas
vivendo a sua vida
sem ter como sentir.

Água me levando longe.
Água me fazendo sonhar.

Marquinho Mota

Tatoo

..... quando vi você
meu coração bateu forte no peito e...
não tinha mais jeito
vi brotar de repente um
sentimento diferente
com gosto de quero mais
sua voz em meus ouvidos
soava como canção antiga
de lembrança fulgás
sua história com a minha parecia
e seus sonhos completavam os meus
seu corpo no meu corpo seria
tatuagem que a vida deu.....

Lumar (30/09/09)

Lavando a alma

Olho através da janela em movimento,
o rio que passa preguiçosamente, lento e sereno.
Por dentro ebulição....
Remoendo sensações,
reinventando histórias, imagens, sons.
Levando na correnteza,
mágoas, rancores, mau amor.
Lavando a alma....
No rebuliço da marola,
a canoa rebola,
e a vida se expande em profusão.

Lumar

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Compondo Cumplicidade e Paisagem

Para Marquinho (22/09/09)

Tu que chegas de Santarém
trazes os póros inflados de rio.

Eu que sempre estive em Belém
te ofereço meus olhos lavados

No fogo monstro dos crepúsculos.

Mocorongamente bebes a tarde
e ao anoitecer estarás de mãos dadas
com a estrela maior de tua constelação.

E eu ao teu lado, copo em punho,
alma ereta nas entranhas desta vida
que nos fere e é ferida.

Sou teu irmão de longa data, e gerados e
paridos na mesma placenta poética
agrupados no mesmo campo de batalha
comcatendo contra os morteiros do tédio
e os fuzis da solidão... Nossa guerrilha lírica.

A arma como sabes é a poesia
e a munição é a paixão
e pelo que vejo
estás bem municiado.

Meu amigo, é isso que os poetas precisam:
de uma paixão, boa bebidae mil amigos
Para que se torne palpável e comum
a utopia do infinito.

Sandro Barbosa.
Uma dor de chorar,
uma vontade de abraçar,
um caminho.

Uma ponta pra queimar,
uma cerveja pra tomar,
uma partida.

Um lugar pra voltar,
uma boca pra beijar,
uma rede.

Marquinho Mota

Só saudade

Como se não houvesse lugar nenhum.
Nenhum instante.
Rancor, penar, não sinto.

Sinto somente o ar.

Não há brisa, não há luar.
Só a luz que pisca amarela,
como se não quisesse iluminar.

Noite escura,
de bola na caçapa,
sem capa, a caça.

O celular insistente,
o barulho no lugar da voz,
e o dedo a teclar à distancia.

O copo vazio,
papéis rabiscados pelo chão.
O corpo meio estático, frio.

A retina sem nenhuma cor,
ausência de sorriso,
e a saudade à explodir dor.

Lembranças povoam a solidão,
a alma à espera da costura dos sonhos,
tentando conciliar a loucura de estar são.

Lumar(22/09/09)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Sergeniando

Minha carne exposta
na vitrine da vida.
Meu pensamento colocado
ao lado da imposição do normal.
Tenho olhos que buscam o inacessível.
Os pés que buscam
o que não consigo alcançar.
As mãos vazias de afago e socorro.
A vida correndo ao largo.
O tempo impreciso
e o infinito se faz.

Lumar(16/09/09)

Passional

Perdoa - me por ficar indiferente.
Perdoa - me por ficar ausente na tua dor.
Perdoa - me por buscar outros passos,
espaços, parênteses de dissabor.
Perdoa - me por não te agradecer suficientemente.
Perdoa - me por ter penetrado tua mente.
Perdoa - me por ter te privado de viver feliz.
Perdoa - me por tentar seguir em frente.
Perdoa - me por ser assim.

Lumar(17/09/09)

Sentindo falta

Sinto falta do apertar dos dedos na hora do medo.

Sinto falta do olhar indicador do que fazer.

Sinto falta das palavras do nada dizer.

Sinto falta do tempo estreito em teus braços.

Sinto falta do discorrer das línguas embaralhadas
de sentidos e sentimentos ocultos.

Sinto falta do teu calor na cama,
do trançar de pernas,
da comunhão.

Sinto falta de ar,
sinto falta de chão.

Sinto falta de mim,
sinto falta de ti.

Lumar(16/09/09)

Madrugada contigo

Ouvi teus passos
e tua voz ecoou em mim.
Respirei teu cheiro
e teu ar expelido bem devagar.
Senti teu corpo pesando
e o instinto me conduzindo a flutuar.
Prazeres adormecidos,
afloraram com o sabor dos beijos.
Mãos escorregando em curvas, protuberâncias
e pelos suados.
Redemoinhos...
Sons inaudíveis e incomparáveis.
Cores explodindo no espaço
Sonho, acordei no vazio.
Lumar(16/09/09)

A porra da cachaça

Não tenho pressa,
mas tenho um preço e me prezo por isso.
Não tenho casa,
mas tenho acasos e não sei pra que sirvo.
Não tenho cor,
mas sei de cor tudo o que vomito.
Sou absurdo,
sou absinto,
e quem liga pra isso?

Marquinho Mota (12/09/09)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Sopa de letrinhas

misturei as letras do alfabeto

e minha saudade escreveu teu nome

num estranho dialeto.


consoante e vogais

se encontraram casuais

e contaram os meus ais.

.

eu estava um trissílabo:

Tristeza!!


me perguntava em dissílabo:

Quando????


e perdida me achava em você!!!!

Lumar(10/09/09)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Casa da Amélia

Cheiro de café fresco,
cheiro de terra molhada.
Gosto de ginja, caju, graviola.
Gosto de arroz com farinha.
Cheiro de jasmim dos seus cabelos,
cheiro de assucena,
cheiro de por de sol.
Riso de crianças,
rosado de amor.
Lembranças da infância,
imagem do portão
escancarado para o rio.

Lumar(09/09/09)

Passo a passo

Ando para que as amarras da intriga não me peguem.
Ando para que o tudo se faça presente.
Ando para que nada se estagne.
Ando para que possa respirar outros ares.
Ando.......
E o mundo dá voltas........
Voltas que me envolvem.
Ando, para dar o passo para voar e ser feliz.

Lumar(28/08/09)

Dia longo

Preguiça de pensar, raciocinar.
Preguiça de levantar
o corpo, o moral.
Preguiça..........
e o dia mal começou.
A cama como imã,
retém seu cheiro, seu calor.
Como posso levantar?
Dia longo de suspiros,
de desculpas,
por não ter coragem de viver.

Lumar(08/09/09)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Sete vidas

Ciclos, círculos, circos.
Poses, caras, exposições.
Momentos em tempo de pausa.
Crescente, cheia, minguante, nova.
Lua, nova lua, nova Lú.
Sete passados, sete círculos,
sete ciclos, sete instintos,
sete de três.
Ciclos, círculos, circos.
Palhaços que somos do teatro da vida.
Vida exposta, vida refletida,
Vida lunar.

Lumar(06/09/09)

Raios lunares

Sem gnomos, pirilampos, duendes.
Sem borboletas no jardim.
Mesmo assim a lua continua a iluminar.
Insiste em fazer minha sombra me assombrar.
Ilumina o sorriso etéreo.
Ilumina o rio, a vala, a lama.
Rastro prata em qualquer lugar.
Não importa se triste,
não importa se sujo,
não importa se mau.
Ela, magnânima, ilumina a vida,
deixando que os sonhos
se embalem no vento frio da noite.

Lumar(05/09/09)

Sorrir

Sorria sempre!!!!!!!!!
O sorriso liberta,
o sorriso escancara.
O sorriso é o escangalhar de sentimentos.

Lumar
Minha inspiração
me leva a ação,
me joga e estira no chão,
me expõe com a mão,
Ah! minha inspiração.

Lumar(um dia qualquer)

H. Q.

São incontáveis e insubstituíveis as histórias de vida.
As dúvidas relativas de viver.
Como saber que direção tomar na bifurcação?
Como saber qual é a sensação de não sentir o que se é?
Que fazer com o que resta?
Viver constantes: Segue! Pare! Pense!
E o tempo nem a favor e nem contra.
O tempo seguindo seu ritmo.
O tempo retendo seu tempo,
até o tempo de não mais estar/ser.

Lumar(em algum tempo)

Big Bang

Estrela que todos os dias brinca com o sol,
faz brilhar o caminho que leva ao amor,
o caminho que faz feliz o meu coração.

Estrela que brinca de viver, que sonha...
Que flutua em notas musicais
reproduzindo o som da criação
a cada respirar seu.

Estrela azul,
minha bela estrela azul...
Mora comigo no infinito do meu quarto....

Minha pequena estrela que pulsa...

Marquinho Mota

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Sem


Há algo de podre no reino da Dinamarca,

que ainda não encontramos

por que não temos passaportes.

que falta de sorte nascer aqui.



Há algo de podre na ante-sala

onde recebo as pessoas

não sei se sou eu ou a visita.



Há algo de podre em Brasília,

bem no coração.



Acho que hoje eu não estou inspirado.



Marquinho Mota






segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Velha Vitrola

A vida é um risco, meu mundo é um disco
riscado,
mundano,
vivivdo

rodando na vitrola
virada,
corrida,
parida,
com a rotação ao contrário.

Oh arte em nós!!!

A vida vive entre parênteses,

A mão que escreve é impronunciável,
incorreta,
ins-crita,
incrível.

Não crive o que eu te falei até agora,
engula em estado bruto.

Porque você riscou o meu vitral?

E meu disco continua rodando
inflável,
impávido,
infalível,
inaudíuvel.

Onde está teu som agora??

Marquinho Mota

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Novo tempo

Voa menino,
deixe - se seduzir
pela imensidão do azul.
Voe bem alto,
esquadrinhe longe.
Deslumbre - se!
Encante - se!
Sorria com o vento.
Voe... Crie... Sonhe...
Recrie a emoção de viver.

Lumar(26/08/09)

Re - verso

A ferida sangra,
excretando medo,
rancor, solidão.
Sangue vivo que se esvai pelo ralo.
E lava a alma,
e leva a calma,
a palavra que não cala.
A ferida continua exposta,
fazendo com que a dor
imprima sua face,
fazendo com que os sonhos
se percam na viagem,
fazendo com que o corpo,
já tão fraco,
se curve perante a não vida.

Lumar(26/08/09)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sala de Vídeo

No fundo do poço,
comer carne é roer um osso.

No canto da cela
o que resta é a raspa da panela.

No fim da picada,
o veneno ou o orgasmo?

Marquinho Mota

A moça do espelho

Quero teu sol iluninando a minha lua.
Te quero em minha cama toda nua,
te quero assim:
disposta, exposta, pra mim.

Quero você por um segundo,
quero você no meu novo mundo,
quero você assim:
no espelho tecendo a linha e o linho
da tua conciência.

Quero você quando der,
te quero quando você vier.

Marquinho Mota

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Coito

Me sinto invadida,
fico molhada.
Minhas pernas tremem,
meu corpo amolece,
estou à deriva.
O mundo ao meu redor
já não existe.
Neste momento só tuas mãos,
tua boca, tua língua e
teu corpo entregue ao meu.
Prazer na plenitude,
instante infinito...........

Lumar(20/08/09)

Em tempo.

Vai, vai, vai,
vai passando o tempo,
tempo decorrente,
tempo presente,
tempo ausente,
tempo intermitente,
tempo de viver.
E como pipa no ar,
sobe,sobe,
sobe sobre as nuvens,
sem perder o tempo,
tempo de pousar.
Vai, vai, vai,
vai passando o tempo...
Não somos jovens,
nem obsoletos.
Somos a soma do tempo,
tempo de voar.

Serginho e Lumar (20/08/09)

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

8centos

O que fazer com oito centos?

Oito livros do Gabriel,
Dez voltas ao mundo com o Julio,
Toda a dinastia Ming
Tantas visitas....
Tant@s amig@s

Oito cesteiro que fazem paneiros.
Se você for oito, dá cem,
se for oitenta, dá de dez.

O infinito cem vezes.

Somos quase Matuzalém,
estamos quase a mil.

Marquinho Mota

Café da manhã.

Hoje acordei com fome
de te comer,
saborear,
deglutir,
devorar
para não saciar minha gula
e continuar a te comer no jantar.

Hoje acordei com sede
de te beber,
sorver,
chupar,
lamber,
te secar toda
e te inundar.

Hoje pela manhã foi muito boa a tua manha,
nem precisou arranhar o jarro.

Marquinho Mota

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Para Marquinho

Dizem que agosto
é o mes do cachorro louco.
Louco por que?
Louco por quem?
E o mes do homem louco?
Homem que a cada dia
fica mais insandecido,
enclausurado,
enquadrado,
emoldurado na loucura insana
de querer o poder.

Lumar ( 15/08/09)

Corta lombra ou a epopéia do matulão e a medusa

Fiz um rasgo no azul,

Pra te ofertar

O ouro do sol,

A prata da lua

E o brilho das estrelas.

Fiz um rasgo no azul,

Pra te presentear

A beleza da vitória régia,

A profundidade do rio,

A mansidão das margens.

Fiz um rasgo no azul,

Pra poder te dar asas,

Pra te deixar voar,

Pra poder te ver livre.

Lumar(18/08/09)

40wood

Pulso,

ação,

pulsação.

Coração....

Sangue jorrando

no ritmo da emoção.

Wood ser stock,

Janis, Jimi, Joe, Santana,

seres irreverentes

no sentir,

no viver,

na madrugada,

na chuva,

na lama,

no beijo da paixão.

Rock, samba,

sambou o choro da batida

da bossa do João.

Ilusão da paz,

na luz do amor do agosto,

que ficou no gosto do ser.

Lumar (14/08/09)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

....demais....

Trilhas no chão de roupas,
e o espaço se fechando em nós.
Olhos,
mãos,
bocas,
línguas,
calor,
suor,
chão.
Chão frio, corpos quentes,
seres ardentes, querer urgente.
Respiração ofegante, e n t r e c o r t a d a.
Palavras desconexas ricocheteando no ar.
Uivos, sussurros, sons do prazer.
Paixão.... tesão.... explosão....
.... exaustão ....
......................................................................................................................................................

Lumar (13/08/09)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Tarde quente, Toda quente....


O calor da casa entre nós dois.

Pulso, pulsy, mel.
Boca molhada, membro em prontidão
mãos que correm loucamentes
corpos que suam sem parar.
Língua.

O calor da casa ultrapassa a parede.

Coração ligado
,
Imaginação a mil,
sonhos que entram pela janela
sem pedir licença.
Hoje não tem por que e nem depois.

O calor da casa acalma a alma.

Urros, gemidos
rítmos, sons, sabores
palavras com tesão,
palavras doces,
despudoradas palavras.

Vivamos no calor e na parede.

Marquinho Mota

Reflexos

Me sinto o certo,
o errado, o que não existe,
o que sempre divide.
Mesmo assim te espero calmamente.
Pelo quarto, espalhados
momentos, tormentos,
lembranças do que não virá mais.
Mesmo assim te espero....
pra te deixar de quatro,
te deixar estático,
te deixar no chão.
E os espelhos que refletem
o que imagino,
o que não presinto,
o que faz o não sentido de ter.
E deixa que me sinto,
muito mais que isso,
o não ser preciso,
a vontade inesgotável
de querer te comer.

Lumar (07/08/09)

domingo, 9 de agosto de 2009

O dia que deu 16º na Jabatiteua

Via Lácta
Não derrama o leite mau,
nem o bom na cara dos caretas.

Já te falei que não gosto de leite,
prefiro o deleite que é
dormir no teu colo na estrada.

Por favor amigo
não estrague o meu caso com esta estrela
apenas me empreste um pouco da tua reverência,
pois sou um rei irreverente
a proucura de um mago
que ainda não trago no meu bolso
nesta noite fria em que o rádio informou:
´´16º na Jabatiteua´´

O que mais eu posso esperar da minha vida?

Marquinho Mota

Uma Lida de Poesia

Sou poeta.
Não me inflamo com isso
nem assumo nenhum compromisso.

Apenas escrevo...
E trabalho para que minha poesia seja lida.

Minha lida é a minha poesia
Maldita, Malvista, Maltratada,

Sou um operário das palavras
E escravo das minhas emoções.

Marquinho Mota

Eu, Rodolfo e o Guarda Roupas

Fim de tarde, Estamos a sós
Eu, Rodolfo e o Guarda Roupas.
Peso, culpa, suor, brigas.
Questão de honra.
´´- E pela porta entreaberta eu vejo a traça furar a parede.´´

A tarde arde apesar de morna.
Cerveja no isopor,
visitas na sala
e nos continuamos aqui,
batendo e gemendo,
Eu, Rodolfo e o Guarda Roupas
com a sua imensa barriga de pau.

Marquinho Mota

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Ensaio 50então

Um dia me perguntaram como eu seria ou estaria aos 50 anos. Na época, a pergunta me pareceu tão ridícula e estapafúrdia, que fiquei rindo e simplesmente não consegui me imaginar e muito menos responder.
Hoje, próximo a completar 48, continuo sem saber o que serei ou como estarei aos 50, se é que conseguirei chegar lá.
É tudo tão absurdamente remoto, que me pego perguntando se é real ou não, se me entrego ao que virá depois, se serei capaz de continuar buscando meus sonhos, se....
Essa partícula que me deixa intrigada, se. Não existe se, como não existe quase, como não existe talvez.
Existe possibilidades, oportunidades, escolhas.
Estou no meio de um turbilhão de emoções. Sentimentos que me embaraçam, me embalam, me escracham, me dilaceram e me levam pra cima.
Pra falar a verdade, estou sendo pedaços de emoções. Ou pedaços de lembranças, ou pedaços de imagens recortadas de algumas vidas vividas.
Ainda não sei exatamente a que vim e nem aonde vou.
Só sei que definitivamente sou um ser mutante. Ser errante. Ser amante. Ser questionador. Ser querente. Ser exatamente o que sou.
Filha, mãe, avó, pai, bruxa, fada, mulher em toda sua plenitude.

Lumar(06/08/09)

A-paixão-nada

Sim, me apaixonei por você.
Tentei ignorar sentimentos,
tentei deletar idéias e ações.
Inútil.
Tudo falou mais alto.
A paixão ecoou e se expandiu
por todas as células do meu ser.
E agora é essa necessidade louca
da sua boca, do cheiro da sua pele,
do seu toque, da sua voz.
Que fazer com tudo isso?
Poesias, música,
ligação entre a sua alma e a minha.
Encurtar distâncias por um beijo,
transcender espaço e tempo
a minha louca paixão.

Lumar(05/08/09)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Por do sol, Porto do ceu....
Momento único onde a magia do dia conquistado
se faz em tons laranja,
onde o fogo e a água
se tornam um só elemento.

Por do sol, Porto do ceu...
Espaço de luz, cores e profundidade,
que nos mostra a força do universo
em toda a sua harmonia.

Por do sol, Porto do ceu, Portal de sonhos....

Marquinho Mota

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Meu presente

Você chegando mansinho,
invadindo minha casa, meu corpo.
Desbravando com a língua
todos os mistérios que há em mim.
Virando -me de ponta a cabeça,
deixando -me em órbita,
em estado de graça,
em nirvana.

Lumar(04/08/09)

Medusa

O cabelo feito de serpente,

que hipnotiza e cega quem chegar perto.

As unhas como garras, fortes e afiadas,

que acarinha e amacia, mas que também

segura o corpo e prende até desfalecer.

A boca que suga e saboreia cada

gota de chuva, cada pedaço de chão.

Um lado que grita e esperneia,

outro que silencia e aceita.

Um bicho que todo mês sangra,

que chora de prazer e de dor.

Que diz não querendo um sim,

que diz sim sem convicção.

Contraditório, diverso,

disperso, explosão.

Anjo, demônio,

puta, santa, ser: mulher.


Lumar(04/08/09)

terça-feira, 28 de julho de 2009

O que eu sei é pouco
diante do mundo
que eu tenho para aprender.
Não tenho nada a me prender
além das minhas próprias correntes.
Correntezas me levam pelas
estradas da sabedoria,
pois o excesso é meu guia,
e a cachaça é meu divã.
Sou absurdo.
Absurdamente pouco,
diante desse mar infinito que me espera
do outro lado da ponte.

Marquinho Mota
Quanto tempo faz?
Quanto mais terrenos para andar?
Percorrer caminhos tortuosos,
caminhos que não levam aos céus.
Quero caminhar nos teus vales,
beber nas tuas fontes,
e dormir no teu colo.
Cola em mim, mas deixa eu respirar,
caminhar, viver, amar.
Te amar.

Marquinho Mota

JotaO - O médico da esperança

Ele partiu voando, tranquilo,
com um sorriso grande estampado no rosto.
Coloriu o mundo
com sua simpatia,
solidariedade, humildade, amor.
Humano, hermano, sempre foi.
Partiu na revoada das borboletas amarelas,
sobrevoando rios, matas, arco iris.
Sua luz fez ponte entre os dois mundos.
Sua semente brotou, deu flores e frutos.
Sua história permanecerá em nós, para sempre.
Então, ele é imortal.

Lumar(28/07/09)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Sem perguntas

Perguntas que não ouso fazer,
para não ter respostas que não quero escutar.
Frases perdidas no ar.
Coisas que não preciso lembrar,
momentos que ficaram pra trás.
O cheiro que impregna o ser,
é o mesmo que mata, que ressucita,
que faz retroceder.
Assim sou eu, você e o mar,
no vai e vem da falsa valsa.
Desejo o beijo pra apaixonar,
e o crepúsculo para dizer no final,
que nada sei.

Lumar (24/07/09)

Para Malu

Você sabe o que é esperar?
Nove meses pra nascer,
vinte e quatro horas pra amanhecer,
a eternidade sem te ver,
dezessete anos pra falar com você.
Você sabe o que é esperar?
Um segundo pra crescer,
uma gota pra chover,
meus olhos a te ver,
minha fantasia te percorrer.
Você sabe o que é esperar?
Pra ver a flor brotar,
o bebê no meio da noite chorar,
todos os pesadelos sumirem no ar,
e somente sonhos pra te amar.
Você sabe o que é esperar?
Eu sei.

Marquinho Mota

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Enfim....

O sorriso estampado
na cortina do espaço tempo.
Pragmaticamente....
Visão turva da mistura de sentimentos,
cheiros, alergias, confusão, stress.
Mãos largadas, braços jogados,
pés cansados, mente em profusão.
Nada se faz no calar das horas.
O silêncio de almas,
grita no meu ser claustrofóbico.
Indefinição de subir, descer,
respirar, submergir, subexistir.
Fantasmas rondam minha casa,
vasculham meu porão.
Apnéia, tosse, confusão mental.
E nada de analgésico,
nada de corticóides, nada de subterfúgios.
O que me leva a loucura
é simplesmente o piscar de olhos,
pela falta de espaço físico,
pela espera de solucionar o que não é óbvio,
pelo tudo que se retrata
no retrato de não mais vir.
Apagou a luz, enfim....

Lumar (23/07/09)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Sou invisível,
a única lembrança que têem de mim,
é o absurdo de ser.
Sou imperceptível,
o que incomoda é o estar presente
quando não tenho nada a oferecer.
Sou banal,
apenas me torno habitável e compreendida
quando jaz.
Sem ais,
sou mortal.

Lumar ( 21/07/09)

Estória de pescador.

Príncipe dourado
das embrenhas do Maicá,
belíssimo Apapá.
A minha dúvida é:
como pode o Pipira
que só sabe avuar,
pescar um Apapá.
Eu já vi Rola pescar
e ele diz que é o tar,
por ser filho do Marçar.
Tem também o jaçanan,
esse sim eu boto fé,
porque pisa bem macio,
e seu bico corre a fio,
nas costas do jacaré.
Mas neste dia, sim,
o bailado foi dela,
a rainha do mamão,
que pegouo Apapá
pra comermos com pirão.

Guilherme Taré

O último ato de um homem

Estou indo rumo à India,
vou buscar luz.
Estou indo, não volto,
Meu volts é 110
o teu 220.
Estou indo por aí,
mochila nas costas,
de costas para o mundo,
fico mudo.
Estou indo
e no meu último ato
ato tua rede.

Marquinho Mota
O mundo é um giramumdo,
mundo de emoções.
O mundo é um museu de artes plásticas,
onde os plásticos se foram
com as cinzas das minhas ilusões.
Ilusões estas que sairam dos teus olhos,
no meu momento de lucidez.
Meu passado se torna presente,
assado, cozido, ao ponto.
E na sala de justiça
morre Salomão Grande.
No museu da minha história,
continuo perdendo os meus heróis.

Marquinho Mota
Rose das rosas,
flor, cabelo, mulher.
Na madrugada bem acompanhada,
que você quer?
Rose, rosa,
sandálias no pé.
Caminhando e andando,
buscando o querer.
Rose, rosa,
irmã, seja bem vinda!

Marquinho Mota
Enquanto todas criaturas desesperadas,
sem saber o que fazer
dão murro em ponta de faca,
eu sou a faca.
As mãos que batem criam cicatrizes,
a faca entorta e cria falhas.
As mãos moldam,
a faca corta.
A mão tem tato,
a faca é cega.
A mão ampara,
a faca mata.
Enquanto todos dão murro em ponta de faca,
eu me escondo na bainha.
Porque a tempos deixei de ser rainha,
me tornei plebeia
que nenhuma mão quer tocar.

Lumar e Marquinho Mota

Ser absurdo

Espero ser sintetizada em pleno absurdo.
Espero o por do sol
para brilhar em seus olhos prata.
Espero a lua
para trilhar em busca do mais haver.
Espero o dia
para dar bom dia, um beijo,
e poder voar.

Lumar (21/07/09)

terça-feira, 21 de julho de 2009

Necessidade orgânica.

Só te amo quando respiro.
Só te quero enquanto vivo.
Só te tenho quando preciso.

Marquinho Mota

segunda-feira, 20 de julho de 2009

LUa+MAR = VENTO

(Presente de um querido amigo, obrigada.)

"E o vento me pertence,
quando passa pelo meu rosto, meu corpo
e sussurra bem ao meu ouvido seu nome,
que fica ecoando, para nunca esquecer você.
Eu fecho os olhos e deixo a brisa levar à lembrança
do momento do reencontro, o olhar, o desejo, o querer,
sem jamais se arrepender"

Ronaldo Barata ( 20/07/2009)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Meio de rio

Como canoa descendo o rio,
tendo como quilha o tempo,
como leme a esperança,
como lastro o amor.
O rumo, o horizonte,
Eu sou o dono do vento.

Lumar(16/07/09)

Parágrafo Único

Eu decreto!

A partir de hoje é proibido sentir dor,
só se for a dor da saudade com a certeza do reencontro.

Fica também extinta a fome,
manteremos apenas a fome de viver.

Ficam vetadas todas as pedras do caminho,
será garantida apeenas aquela de Drumond.

Eu decreto!

A partir de hoje,
Viveremos apenas com o amor e a poesia.

Marquinho Mota

In - constante

Um minuto de bobeira, simples assim.
Confundi o teu olhar,
confundi teu carinho,
confundi tudo.
Um minuto, e tudo se perdeu.
Quando percebi, não tinha mais nada.
Entreguei - me sem perguntar se tu querias.
Entreguei - me sem pensar que poderia doer tanto.
Em um minuto, minha cabeça a prêmio.
Sem pestanejar fiz valer o minuto pra esquecer.

Lumar (15/07/09)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Olhando o ceu. Olhando o seu....

Quero te amar com a força de uma planta que nasce
Por entre as paredes de concreto da selva de pedra;
Que floresce sob o sol, sob a chuva,
Apenas para encher teus olhos de beleza.

Quero te amar com a suavidade do vento
Que empina a pipa da criança
Enche a boca de sorriso
E a alma de esperança.

Por que isso me trás gosto de saudades na boca
Cheiro de solidão no ar
Falta, louca falta de tirar tua roupa.
Vontade, infinita vontade
De sentir teu olhar.

Vem de longe, vem pra mim Estrela do Norte,
Vem voando por cima do mar
Com tuas cores e delírios me dá sorte.
Quero, somente quero , te sentir, te amar.


Marquinho Mota

terça-feira, 14 de julho de 2009

Querer é poder.

Quando se canta bem,
os olhos são cegos.
Cegos pro amor,
cegos pra dor,
cegos pra vida.
Quando se escreve,
não existe paz,
não existe chão,
não existe querer bem.
É um procurar sempre,
buscar um lugar, um querer,
um tudo mais.
Quando se quer,
os valores, os prazeres, os seres,
são indiscriminados,
são impublicáveis,
são imperdíveis .
Quando se quer, tudo é possível.
Lumar(13/07/09)

Me ceda uma seda, por favor!

Hoje eu quero falar sobre coisas
que normalmente eu não falo.
Quero falar de porque eu estou aqui,
quero falar....
Mas faltam palavras para falar,
mesmo assim eu tento.
Busco na memória
lembranças difusas,
e tento me encaixar em algum fuso horário,
em que valha a pena ver o tempo passar.
Hoje eu quero falar,
juro que eu quero falar.
Só não sei pra que, pra quem e nem porque.
O eco da minha voz torna cada vez mais dolorido este ato.
Hoje eu queria falar,
como não consigo, escrevo.
Marquinho Mota (12/07/09)