segunda-feira, 31 de maio de 2010

E?

Vá lá,
já cansei de procurar a bolsa que esqueceste ontem na minha casa.
Vá lá,
que eu não te quero mais aqui.
Vá e não olhe pra trás,
estátuas de sal estão a tua espera.
E o que te espera?
Retratos na parede,
bilhetes na porta,
sorrisos amarelos,
minha vida em convulsão?
Vá, a confusão que criaste
fez com que tudo que eu sentia pela manhã
se espalhasse pela casa.
E por mais que procures
eu não sou mais aquele retrato
que escondestes atrás da porta.
O tempo fez com que o
nosso amor ficasse amarelo.
Já nem sei mais das torrentes,
das correntes em meu pescoço,
do espaço entre a dor e o amor.
Já nem sei mais se tenho
a sorte de te possuir.
Já nem sei o norte,
das dores, os odores, os quereres,
o existir.....
Vá,
não olhe nunca as pegadas,
as marcas, as cores,
as horas que sonhamos,
as terras que marcamos,
o som que rimou,
o sol, a lua, a chuva,
tudo que iluminou.
Vá, e no dia que resolveres voltar,
eu não estarei mais aqui.

Marquinho Mota e Lumar

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Te quero agora mas você está longe.

Aguardo ansiosa pela noite que chega,

Te quero agora mas você está longe.

Penso...sinto sua carícia em minha pele,
sua boca em meu seio,
seu cheiro em mim...
queimando por dentro!

Te quero agora mas você está longe.

Onde sua mão me toca, ARDE,
onde sua boca me beija, QUEIMA,
onde sua língua brinca, LATEJA,

Te quero agora mas você está longe.

Chegue logo!
Ou morro ardendo de amor.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Visceral

A sensação que tenho ao olhar teus olhos

é a mesma de cair do décimoandar,

zunido no ouvido,

palpitação, falta de ar.

Tua marca continua cravada em minha alma, e

nem que eu me arraste, sangre até esvair,

nem que eu dilacere a carne,

tua marca continuará.

Não quero ser tua cura,

nem teu vício,

nem precipício.

Não quero ser teu exemplo,

nem teu ponto final.

Quero apenas estilhaçar segredos,

arrancar tua roupa, te encharcar de suor,

romper teus medos, te rasgar ao meio,

ser teu placebo.

Lumar (24/05/10)

Eu acho que tenho um...sentido.

Minhas mãos no escuro
usam teu corpo como vetor
a procura da tua alma.
Tentam encontrar respostas
para perguntas que ninguém quer responder.
Minhas mãos não falam braile,
minhas mãos não se calam,
minhas mãos e meus calos não sabem o que dizer
porque não conhecem as respostas
pelo menos até o amanhecer.
Minhas mãos não constroem mais
aquilo que teus olhos não enxergam,
minhas mãos não tocam os teus sonhos,
minhas mãos se tornam insanas.
Minhas mãos por mais difícil que seja
abrem uma cerveja e escrevem esse poema pra ti.
O meu tato ainda vai te levar ao teto,
e nesse momento o que é concreto vai se tornar abstrato
e minhas mãos já não produzem flores tão belas quanto antes.
Marquinho Mota

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Realidade paralela

( Para Thais)

Caminho em um tapete de folhas
sentindo cheiro de vida.
Energizo-me com a força vital dos elementos.
Vejo pelas frestas da dança dos galhos
a luz brilhante do céu.
A grande árvore é minha morada e
os sons da natureza embalam meus sonhos.
Sou parte disso tudo
e tudo isso vive em mim.

Lumar (19/05/10)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Piegas

Mais difícil que fazer amor
em pé na rede,
é ter alguém por inteiro.

Lumar(14/05/10)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A fita


Não pensei, em nenhum momento,
que estava assistindo o filme da minha vida.
Quando descobri, quase por acaso,
que eu não era mais a protagonista.
Que meus demônios não passavam
de gnomos e duendes passeando no jardim.
Que os meus fantasmas eram apenas

os lençóis secando no varal.
Que os meus caminhos somavam-se
as trilhas sonoras dos vinis.
Que os meus sonhos estavam

embrulhados em celofane rosa,
e que os meus medos enlatados
entupiam meu espaço de ir e vir.
Fechei os olhos e vi a luz acender,
sem glamour, sem platéia, sem tapete vermelho.
Caminhei, olhei pra trás, e dei adeus....

Lumar (13/05/10)

Mas, o que é isso?

Imaginei ontem
que hoje seria diferente.
Imaginei ontem que o amanhã,
ah! o amanhã, seria tão bom
que não precisaríamos mais de telepatia,
bastava olhar e então seríamos
felizes como deliramos outrora.
Como é a primeira frase que eu falei antes?
Imaginar as vezes dói,
imaginar as vezes é estar à margem,
imaginar nem sempre é sonhar,
imaginar também é descobrir que os sonhos
se acabam do outro lado do telefone.
Dói muito imagem - ar.
Imaginar é um jogo,
sonhar é o jogo.
E aos 47 do segundo tempo
eu perdi voce dona certinha.
Imaginar talvez
me faça andar na linha.
Hoje a tua falta
me faz falta,
e esta falta é a morte do sonho
que ontem sonhei.
E enquanto eu dormia,
sonhava e imaginava o que acontecia
do outro lado da linha via Embratel.
Marquinho Mota

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Em gotas

Gotas de chuva,refrescam a noite,
como um beijo na carne crua.
Gotas de chuva,somam efeito,
do toque dos dedos na pele nua.
Lumar(06/05/10)

Não faz meu estilo.

Uma página em branco,
e as palavras fogem.
Meu corpo presente,
meu pensamento e atos, onde estão?
Tudo passa correndo, folhas, nuvem,luzes
e eu só nesse mundinho cão.
Quero teu espaço, teu traço,
tua cama de solteiro,
teu guarda roupa vazio de ilusão.
Nada faz sentido,
nem o ar que respiro e
nem meus passos em vão.
Me dá tua mão,
agora, nesse escuro que sinto.
Olha em meus olhos e vê tudo que persigo,
se estás tão sozinho, como eu,
comunhão.
Lumar(04/05/10)

Doce escravidão

Escrava do tempo,
do pensamento, do ser.
Escrava de sentimentos,
do muito que tenho,
do olhar que distrai,
do não mais vir.
Escrava que sou
do que não tenho,
do espaço que não componho,
do passo que não me leva em frente.
Escrava liberta
que não tem livre arbitrio,
que não tem reflexo no espelho,
nem sombra no rio que deságua.
Escrava sem senzala,
sem corrente, sem algema, sem tempo.
Escrava do senso,
escrava por não poder,
escrava por te querer.
Lumar(06/05/10)

terça-feira, 27 de abril de 2010

Noturna

Um momento quase por acaso.
Feito de sentimento, sou fato.
Embora a noite me embale,
não existe harmonia em mim.
Um instante entre o olhar do sol.
Sou essência e extremos.
Sou o que nunca percebi.
Um momento,
entre o estar e ser.
Um instante que há em mim.
Noite, abandono de medos,
dores que mostram o reflexo do espirito,
espelho que mostra a alma.
Sou fraco e forte,
sou humano errante,
sou assim.

Lumar (27/04/10)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Helena de Tróia

Infinitos dias,
inúmeras horas.
Sons que se propagam no trovão.
Luz que ilumina
e não apaga.
Seu sorriso estampado no tempo.
O brilho do olhar
que se expande no pensamento.
Palavras que nunca foram ditas,
recados deixados no coração.
Faz muito que não lhe vejo,
mas ficou em mim
a essência de si.
Helena guerreira....
Helena rainha!
A mão estendida,
espalmada de amor e compreensão.
Mestra da vida,
educadora e senhora.
Presente dos deuses,
em mim presente.
Lumar(16/04/10)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Resposta

No ocaso,

corpos entrelaçados,

como dedos das mãos que se encaixam

em uma simbiose perfeita.

No ar, cheiro de paixão,

desejo, tesão,

odores diferentes que se misturam,

química de sedução.

Mãos que viajam nas curvas do corpo,

transmitindo ondas que causam

arrepios, tremores, calor,

que deixam os pelos eriçados..

e o corpo querendo mais,

querendo sempre, mais...

e o gozo, reflexo oposto,

corpo em êxtase.... e

começar de novo, e de novo e de ..

Lumar (06/04/10)

Sem visão

Imagens distorcidas

enchem meu campo de visão.

Meus olhos estão turvos

pelas lágrimas, pelas máscaras,

pela cegueira da ilusão.

Me perco diante de tudo.

Vivo como se não fosse morrer,

esqueço que a vida corre na velocidade da luz.

Os fantasmas rondam meus passos,

perco o equilíbrio, os sentidos,

bebo do fel da incerteza,

como a parte podre do teu pão.

Tateio em vão pela porta e

encontro as janelas do porão fechadas.

Preciso de luz,

preciso de ar,

preciso sentir,

preciso estar vivo para sentir.

Preciso de ti.

Lumar (10/04/10)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Por que tem que ser assim?

As tintas do arco-íris morreram sobre minha mesa

e assim de repente meu mundo ficou preto e branco, cinza, fumaça...

Desde então, é assim que te trago, te fumo, te cheiro

e me estrago em uma película de Feline,

na pelica da luva que Lúcia usa

quando uiva para a lua.

E em sua vassoura

faz versos sobre o reverso do avesso;

Faz com que o fumo cheire

e a pele ligue a chuva ao chão.

Restam poucas cores na minha aquarela,

restam poucas nuvens com forma de flores.

Poucas fitas para assistir,

mas ainda me resta esperar você.

Chove chuva, chove.

Marquinho Mota

quarta-feira, 31 de março de 2010

Luxuria

O quarto inundado
pela luz prata da lua.
O corpo jogado ao chão,
inerte, quente, extasiado.
Preso pelas mãos suaves,
pelos toques precisos e ansiosos,
pela boca que suga,
que morde, que lambe,
que beija e acarinha.
O tesão encurtando espaço e tempo,
sem linha de pensamento,
só luxuria, instinto, entrega, paixão.
Devassidão de corpos....
Lassidão.


Lumar(31/03/10)

sexta-feira, 26 de março de 2010

Surto

Corto fotografias,
deleto mensagens,
desligo o celular.

Imagino cenas,
armo o circo,
finjo esquecer.

Rasgo bilhetes amarelos,
quebro prato, faço estrago,
risco os cd´s.

Corro descalça,
abraço a noite,
canto sem tom.

Faço - me distante,
sem norte, sem rumo,
sem certeza de ser.

Minha vida em branco e preto,
meu amor quase sem jeito,
meu querer por te querer.

Lumar (25/03/10)



quarta-feira, 24 de março de 2010

Retorno

Há tantos labirintos em mim

que nem sei onde e quando me perdi.

Tantos espaços a serem preenchidos,

tantos sonhos a realizar,

tantos caminhos a percorrer

e eu perdida em mim.

Como posso amar se não me encontro?

Como posso ser se não me vejo?

Como posso?

Meus passos incertos encontram pedras

que se fazem escadas para dar o salto,

para dar o último passo,

e de repente o ar.... o mergulho em mim.

Emerjo das minhas profundezas e

avisto o por do sol.

Acreditar de novo em mim, acreditar na vida,

acreditar no firme propósito de ser feliz,

sair do labirinto escuro,

ser eu, enfim.

Lumar(17/03/10)

Escariotes

Tem um grito estrangulando minha garganta,

uma trave cravada em meu coração,

uma falta de ar por não ter teu espaço,

um ter que flutuar por não ter teu chão.


Tem um gosto amargo na boca do teu último beijo.

Tenho pesadelos.

Tenho vontade de te beijar novamente

e depois te malhar em um sábado de aleluia.


Ainda sinto a corda que deixastes em meu pescoço,

quando fostes embora por trinta pratas.

Ainda sinto tuas unhas cravadas em meus braços,

ainda sinto teu olhar de adeus.


Tem a saudade a rasgar o meu peito,

tem incoerência de sentimentos, desencontro de querer.

Tenho medo.

Não quero mais te querer.


Lumar e Marquinho Mota (24/03/10)

sexta-feira, 12 de março de 2010

A cura

Vício de viver, vício de teimar,

vício de querer o bem, vício de insistir,

vício de beber, vício de fumar, vício.

Vício de tentar ser feliz.

Entre um gole e outro de cerveja,

no sai e entra de poesia...queremos alegria!!!!

Escreve tu

escrevo eu,

me atiço ou me irrito?

Quero um trocadilho pra ver se brilho,

pra ver se exprimo essa falta de mim.

Quero gritar bem alto, dizer não gritando,

poder brincar com as palavras,

brincar de ciranda, de amarelinha, de cantiga de roda.

Poder voltar a ser menina,

e rodopiar no carrossel,

gargalhar ao léu

fazer parceria de encanto,

e no meu vício de magia

trocar letras, palavrinhas, palavrões,

quero dizer grandes palavras... como VIVA! ALEGRIA! COMPAIXÃO!

E sair voando, ficar solta no ar,

sobrevoar o mar,

andar sobre as águas sob o luar,

e nunca, nunca perder o vício de amar.


Ândrea Imbiriba e Lumar

quarta-feira, 10 de março de 2010

Sobras de vício

Sinto – me caindo no vácuo.

Louco isso...

O calor me atinge, mas sinto frio, muito frio,

e meu corpo inteiro arde como se estivesse em uma fogueira.

Meus olhos pesam de tristeza, da falta de visão do meu mundo.

Uma corrente de emoções eletriza meu corpo,

e me sinto extenuada, sem capacidade de raciocinar,

sem vontade de dar o próximo passo.

Traço em vão meu plano de vôo,

rabisco palavras incompreensíveis,

grito por socorro no espaço vazio,

tento me reerguer, minhas pernas não correspondem,

sinto medo, sinto dor, sinto sono,

sinto um nada profundo em mim.

Lumar(10/03/10)

terça-feira, 9 de março de 2010

Ponto G

Passei muito tempo tentando achar o ponto G.
Imaginando como seria a vida depois da descoberta,
como seria o prazer depois do G.
Até que, pasmem, os cientistas descobriram que ele não existe.
E agora me pergunto, que vai ser do meu prazer????
Imagina!?!?!?
Meu prazer está em ser mulher,
em sentir o cheiro do meu homem,
em sentir o toque de suas mãos,
sua respiração, seus carinhos, seu cuidado.
Meu prazer está em entregar -me inteira,
sem culpas, sem medos, sem ansiedade.
Meu prazer está no ato presente,
nos meus sentimentos, no meu tesão.
Meu prazer está em viver o amor por completo,
está no viver intenso,
está simplesmente em minhas mãos.

Lumar(03/03/010)

quarta-feira, 3 de março de 2010

Big Bang

Enquanto o mundo gira eu paro pra descer
porque não aguento mais ficar dando voltas em cima do meu próprio eixo.
Rotação, tranlação, por que eu continuo aqui sem sair
para nenhum outro lugar dentro do sistema solar?
Que venha Plutão então.
Como anjo noturno a viajar pelo lado escuro da lua
colocarei em teus dedos os anéis de Saturno.
Como viajante das galáxias sobrevoando seu mundo paralelo e
no universo transversal da sensibilidade
deixa - se mergulhar na imensidão,
permitindo que os sentimentos se contraiam como um Big Bang as avessas.

Marquinho Mota e Lumar

São Sebastião, 848

Nada mais resta...
apenas poeira e devastação não ficou pedra sobre pedra
nenhuma flor a colorir o jardim outrora tão lindo
nenhuma semente das frutas saborosas do quintal
sabor de infância
nada.... só escombros......
nem o sol escaldante sobre a cabeça esquenta o coração soturno.
E quem se importa?
Não faz diferença, é apenas um terreno vazio, um parêntese na selva de pedra.
Na memória sorrisos esperança sonhos sons de piano serenatas festas poesias harmonia comunhão.....
Imagens guardadas com carinho, espaço reservado para a saudade.
Fotografia de um tempo em que o colorido da vida era o amor.
Lumar(02/03/10)

terça-feira, 2 de março de 2010

Guimba.

Cara ou coroa?
Como escolher o caminho se não temos mais pernas para andar?
Cara eu levanto, coroa você corre.
Como traçar planos se você traçou meu coração com geléia?
Cara eu enlouqueço, coroa você morre.
Como fazer amor se não consigo mais o mar?
cara eu bebo, coroa você fuma.
Como responder perguntas se respostas estão em falta na prateleira?
Cara eu paro, coroa você desliga a máquina.

Marquinho Mota

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Denadaser

Não quero nunca mais o escracho,

o escarro, o vomitar de palavras.

Não quero nunca mais amores ausentes,

prazeres distantes de prazer.

Nunca mais o pus de feridas latentes,

nunca mais o destino mal traçados

pelas linhas tortas da minha mão,

nunca mais a falta de brilho no olhar.

Quero apenas a paz

lançada nas águas mornas,

quero a luz da alvorada

da luz prateada que nos envolve.

Quero o sorriso de esperança

da criança que brinca superando os obstáculos,

quero amor puro e sincero,

quero o prazer de sonhar acordado,

quero o presente do perdão.


Lumar (09/02/10)

Nobre

Impressionante como a noite

faz com que as sombras

criem força e vida.

Impressionante como na noite

os medos do passado nos amarram

e nos fazem de marionetes.

Nem tudo é luxo, nem lixo,

nem tudo é glamour ou apatia,

nem tudo é vôo ou pouso forçado.

Sabemos que o dia vem,

que o sol nos dará energia,

mas o impacto do escuro

nos faz pensar que os olhos

não se acostumam ao brilho da luz

e muito menos com a nossa

capacidade de sobreviver.

Impressionante como o simples fato de ser

nos encolhe como caramujo

e nos pressiona a tal ponto

de não poder reagir.

É muito impressionante como a vida

nos leva pelas correntezas da incerteza

e ao mesmo tempo nos faz

tão forte para amanhecer.

Lumar (09/02/10)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Eu quero escrever uma poesia, agora.
Você me ajuda?
Minhas mãos não sabem o caminho que devem seguir,
minhas mãos não sabem as palavras que devem escrever
e minha boca não sabe o que pronunciar, beijar, blasfemar.

Meu passado se faz presente
mesmo estando ausente como eu sempre fui.
Fujo pela janela sorrateiramente
caminhando para o futuro.

Eu queria, juro que eu queria
escrever uma poesia agora,
mas eu sinto sono, eu sinto medo
e isso não é uma boa inspiração.

Oh poesia, porque habitas em mim
Oh poesia, porque me fazes chorar?

Eu não quero mais escrever
eu não quero nunca mais voltar.

Enquanto minha mãos estão entre tuas pernas,
enquanto a chuva chove e eu a escuto pela janela,
enquanto santana toca
eu me toco; bye, bye poesia.

Marquinho Mota

Olho da alma


Borboletas colorindo o dia,
enfeitando os jardins com a sua leveza.
Borboletas no estomago,
lembrando a todo instante a ansiedade
a sua ausência, a saudade.
Borboletas filhas da metamorfose,
metamorfose de pele, de corpo, de alma,
que ao sair do casulo deixa suas
cicatrizes, mágoas e medos,
e mostra ao mundo sua beleza de ser.
Vida breve, como a duração de um dia
e um dia com duração de uma vida.

Borboletas rosas pousando nas rosas
que plantei pra você.
Borboletas leves, me levem para ver o sol nascer
em um local que faz frio
e que só o seu amor aquece.

Borboletas pequenas, grandes como sua alma,
sempre voando, por ai.

Lumar e Marquinho Mota

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Desígnios

alguém pode me dizer
se estava prevista na palma da minha mão
esta paixão inesperada
se estava já escrita e demarcada
na linha da minha vida
se fazia já parte da estrada
e tinha que ser vivida

ou foi um desgoverno repentino
que surpreendeu os deuses, todos
os que desenham o nosso destino
ou foi um desatino, uma loucura
uma imprevisível subversão
que só a partir de agora eu trago marcada
na palma da minha mão

Por favor, responda: será loucura, desatino ou subversão?
Viverei a mercê desse amor ensandecido,
a procura dos beijos entorpecidos de paixão?
Responda, senão me jogo desse vagão
nessa savana molhada de orvalho da madrugada
e a palma da mão rasgada e fria
não poderá acarinhar seu rosto amado.

Não me deixe morrer sem saber a resposta
nem cigano, nem cartomante, nem tarô,
saberá dizer.......
só sua voz rouca, arrastada em meu ouvido,
só o calor do seu corpo que me deixa sem sentido
só essa louca e perdida paixão.

Bruna Lombardi e Lumar